» Longo Curso e Turismo

 


O segmento de Longo Curso e Turismo, nasce da necessidade dos transportadores servirem os clientes com viaturas dotadas de um padrão de conforto superior, especialmente vocacionado para viagens mais longas, num leque que se estende desde os serviços Expresso, com duração média, em Portugal, entre duas e quatro horas, até aos alugueres de longa distância e alguns serviços específicos, que se podem prolongar por mais que um dia.

A evolução da indústria de carroçarias ao longo dos tempos, pautou-se sobretudo pela melhoria do conforto oferecido, através da melhoria ergonómica das cadeiras, e essencialmente através da actualização do design exterior. Porém, o transporte rodoviário depara-se com uma dificuldade acrescida, no momento de o dotar convenientemente de novas valências.

As restritivas dimensões do habitáculo, condicionadas pelas limitações do conjunto, ditam uma evolução mais flexível para o transporte marítimo ou ferroviário, onde é possível introduzir serviços inovadores, como cabines independentes para os passageiros, camas, bar, restaurante, entre outras importantes comodidades que tornam as cansativas e longas viagens, em locais atractivos, transformando o tempo despendido nas deslocações, em mais uma oportunidade de lazer e de convívio.

Durante muitos anos, alguns carroçadores ficaram indiferentes à tipologia de carroçaria a produzir, uma vez que o conceito "autocarro urbano" só foi verdadeiramente introduzido, na Europa, em 1967, com a apresentação do Daimler-Benz O305. Até essa altura, construía-se um pouco por todo o lado, carroçarias mais adaptadas para andar na cidade, mas regra geral, era importante não esquecer a rentabilização dos veículos nos dias em que o serviço citadino não era tão requisitado, como o fim-de-semana, fazendo com que da proposta inicial de um veículo, que hoje chamaríamos de "Categoria I", passasse a um veículo com uma enorme quantidade de lugares sentados.

Em Portugal, o conceito ficou amplamente difundido a partir das décadas de 70 e 80, sobretudo com as aquisições de material circulante por parte da Rodoviária Nacional, que através da divisão entre Centros Operacionais, afectava específicamente veículos para serviço urbano (CEP 5, zonas hoje operadas pela Vimeca Transportes, Lisboa Transportes, Scotturb, Rodoviária de Lisboa) e os outros para serviço interurbano e longo curso.  No longo curso, os modelos com maior volume de aquisições na era da Rodoviária Nacional foram a Salvador Caetano Alpha, Salvador Caetano Beta e SuperBeta, Camo Cometa (foto) e UTIC Europa.

Convenhamos que até esta época, poucas eram as estradas devidamente pavimentadas e as Auto-Estradas só nessa altura começavam a ser pensadas. O autocarro que durante a semana de trabalho servia para levar até ao centro das cidades, quem até lá se dirigia para trabalhar, durante o fim de semana deveria ser rentabilizado em serviços ocasionais, como é hoje termo corrente, excursões e alugueres naquela época. Porém, em algumas empresas esta mentalidade está ainda presente, constituindo parte da frota com veículos de categoria II e III, apesar de a generalidade dos seus serviços situarem-se em perímetro urbano. No outro extremo temos as empresas que prestam serviço totalmente urbano, como são o caso da STCP, no Porto, e a Carris em Lisboa, cujos veículos sempre foram concebidos para esta finalidade. Desta forma torna-se difícil fazer uma distinção concreta do período em que os veículos urbanos evoluíram de forma independente dos veículos das restantes categorias, uma vez que esse facto advêm das políticas internas de cada empresa e consequentemente da adaptação de cada carroçador às solicitações de cada empresa.


Aos veículos de longo curso, é possível traçar um conjunto de características muito específicas, que os permitem distinguir dos demais.

  • As portas de entrada e saída, são mais estreitas, e regra geral de uma só folha, pois o fluxo de passageiros que entra e sai do veículo é menor que nas restantes categorias, contribuindo para isso a distância que separam duas paragens, ao longo de uma viagem.
  • Possuem WC. Nos autocarros recentes está colocado junto à escadaria da porta da rectaguarda, e possui os requesitos mínimos para ser considerado, casa de banho. No entanto, nem todos os serviços de longo curso dispõe deste equipamento;
  • O Ar Condicionado, é parte integrante do conforto proporcionado ao cliente, havendo alguns modelos que permitem ao motorista seleccionar para o seu habitáculo uma temperatura diferente, da disponibilizada no salão;
  • As cadeiras são reclináveis, e em alguns modelos há ainda um ergonómico apoio para os pés;
  • Pelo menos um monitor é possível encontrar em todos os modelos de longo curso. Os mais recentes são constituídos por finos monitores TFT, e são raros os veículos com menos de dois, estando um no topo do salão e outro junto à porta de saída (sensivelmente a meio do autocarro). Alguns operadores privilegiam esta característica, distribuindo-os uniformemente ao longo de todo o corredor, em maior quantidade;
  • Algumas empresas, apostando num maior conforto prestado ao cliente, dispõem de canais aúdio individuais, no apoio lateral das cadeiras, permitindo aos passageiros escolherem de um conjunto pré-seleccionado de canais aúdio, o da sua preferência e através de auriculares, usufruir deste serviço;
  • Alguns serviços Expresso, como é o caso do Expresso Qualidade da Eva Transportes, dispõe de hospedeira de bordo, disponível para indicar a localização dos lugares e auxiliar a acomodação da bagagem.
  • O serviço de "mini-bar", embora raro, faz parte do leque oferecido por alguns operadores. Regra geral, a venda é prestada pela hospedeira de bordo, evitando assim que os passageiros se desloquem pelo veículo, ao longo da viagem;

  • O cinto de segurança é hoje parte integrante dos veículos desta categoria, e da categoria II, sendo obrigatório o seu uso pelos passageiros;

  • Um pequeno frigorifico é ainda equipamento de série em alguns autocarros, permitindo usufruir de bebidas frescas, mesmo após algumas horas de viagem;

  • Junto à porta de entrada, há ainda uma cadeira destinada ao guia-intérprete, à hospedeira de bordo ou a um segundo motorista. Em viagens de duração superior a 4h30, é indispensável a paragem de 45 minutos para descanso do motorista, pelo que muitas empresas optam pelo destacamento de um segundo motorista, de forma a reduzir o tempo de paragem, e consequentemente o de viagem. 



A indústria nacional

 
Na indústria nacional, onde este segmento tem particular destaque no volume de negócios, destacamos a Starbus (conhecida também como Alfredo Caetano), com a produção desde 2005 do arrojado Tétis, podendo ser encontrados alguns exemplares em serviço regular na Auto Viação do Tâmega e na Isidoro Duarte. O Tétis sucedeu à familia Fénix, que durante a década de 90 foi titular de alguns serviços Expresso ao serviço de empresas como a Santos Viagens & Turismo e o grupo Joalto.


A Camo, integra no seu catalogo o modelo Júpiter, disponível em três versões: "Standard", "Grande Turismo" e "Internorte", oferecendo o último uma configuração especial, vocacionado para oferecer um nível superior de conforto nas longas viagens pela Europa.A União de Transportes dos Carvalhos adquiriu em 2004, três exemplares, sendo um deles configurado para o serviço Internorte.

O modelo Minerva, antecessor do Júpiter e produzido em maior quantidade, percorreu durante os primeiros anos desta década, e a década passada as estradas do País, ao serviço da Transdev e Transportes Sul do Tejo.


A Irmãos Mota, com o lançamento de vários modelos nos últimos anos, lidera o índice de vendas neste segmento.

Em 2005, o MK VIIm estreou-se nas estradas portuguesas, sucedendo ao Atomic MK IX. Apresenta um pára-brisas único, e o interior é composto, na maioria dos casos, entre 50 e 55 lugares sentados, podendo a configuração variar conforme solicitação do cliente, não sendo por isso possível estabelecer um padrão. Os principais clientes deste modelo, são a Auto Viação do Minho, AVIC e OFR Transportes.

Em 2008. nasceu o MK VIIIm, constituído por dois pára-brisas e com algumas evoluções a nível estético. Os primeiros clientes foram as empresas, António Atalaia, Maia Transportes e a Viagens e Turismo, não havendo à data nenhum em operação de linhas regulares. As encomendas não se resumem a Portugal, havendo interesse manifestado por parte de alguns operadores europeus, presentes na Croácia e Holanda.


A GAF, é representada nos últimos tempos, pelo modelo Voga II, dos quais a União de Sátão e Aguiar da Beira e a Mafrense detêm alguns exemplares, no último caso presentes no serviço interurbano pela região Oeste.

A Marcopolo, com o bem sucedido modelo Viaggio, está presente em quase todas as linhas de Expresso do País. O cliente com mais unidades adquiridas deste modelo é sem dúvida, a Transdev, que renovou assim parte da sua frota ao serviço da Rede Expressos e Renex. Lançado na segunda metade da década de 90, este modelo foi sofrendo algumas actualizações, sendo o actual em produção, o terceiro modelo da série.

Anteriormente, a Marcopolo foi responsável pela produção do Choupal II e Mondego, embora com menor expressão que o Viaggio.

A CaetanoBus, disponibiliza o modelo Winner, apresentado pela primeira vez em 2004, aquando do Campeonato Europeu de Futebol, ficando historicamente ligado ao transporte das equipas que disputaram o campeonato. 

Desenhado pela Almadesign, representa hoje a mais bem sucedida carroçaria exportada de todos os tempos. O operador Britânico National Express conta com algumas dezenas de exemplares deste modelo, que para exportação é referenciado como CaetanoBus Levante.
Por terras lusas, o Grupo Barraqueiro, a ValpiBus, a António Atalaia e a Moisés Correia de Oliveira, são alguns dos operadores que diariamente empregam este modelo nos seus serviços.

 

Produção Estrangeira


No contexto Europeu, onde os gigantes da produção de autocarros assumem uma posição de maior destaque, algumas empresas conquistam a preferência dos operadores portugueses, como o caso da espanhola Irizar com o seu, já famoso PB, ou a alemã Evobus, empresa do grupo Daimler-Benz, que oferece um conjunto alargado de modelos, que cobre todo o tipo de necessidades dos operadores.

A Irizar domina desde 2004, as escolhas dos operadores nacionais, em termos de modelos estrangeiros. Presente em larga escala no grupo Joalto, Transdev e Barraqueiro é hoje uma referência no sector de longo curso, quer no serviço regular, quer em ocasionais, das maiores empresas nacionais. A escolha dos pequenos operadores e agências de viagem, que renovaram a frota recentemente, tem recaído também neste modelo, à semelhança do que acontece um pouco por toda a Europa. Galardoado com o estatuto "Autocarro do Ano 2004 na Europa" apresentou-se equipado com um chassis Scania KIB 4x2 420 cv.




O renovado Evobus Mercedes-Benz Tourismo, é uma presença cada vez mais assídua nas estradas Portuguesas. A simplicidade das suas linhas, cativaram já a Eurotur, a Joalto e o Grupo Barraqueiro, este último líder de aquisições do modelo em Portugal, essencialmente para os serviços de aluguer.
A EVA Transportes, tem optado recorrentemente pelo modelo Travego, para a sua frota Expresso Qualidade, numa frota composta maioritariamente por autocarros Evobus Mercedes-Benz.


O catálogo proposto pela Setra, uma das mais conceituados construtores de carroçarias, hoje pertença do grupo Daimler AG, é talvez o mais abrangente. 

Do S411 HD, com 37 lugares, distribuídos ao longo dos seus 10,10 metros de comprimento, até ao majestoso S431 DT, capaz de transportar 83 passageiros em cómodas poltronas, são seis os modelos actualmente produzidos que visam oferecer uma cobertura completa de toda a gama que integra o segmento mais exigente da indústria rodoviária. 

Em Portugal, apenas um exemplar do modelo S431DT foi adquirido, prestando serviços ocasional e regular especializado desde 6 de Julho de 2007, pela mão da Viagens da Póvoa do Lanhoso.

No entanto, é cada vez mais notória a presença de outros modelos igualmente imponentes, sendo o maior cliente o Grupo Barraqueiro, que contribuiu com a aquisição do modelo S416 GT-HD.



O construtor germânico MAN Nutzfahrzeuge AG., divide o segmento de longo curso e turismo em dois trunfos: o Lion's Coach e o Lion's Coach Supreme.
O segundo não é mais que a evolução estética do bem sucedido Lion's Coach, hoje presente em empresas nacionais como a Rodoviária da Beira Interior, VT - Viagens & Turismo, Auto Viação do Souto, Ninfatur, Empresa de Viação Barranquense, entre outras.
Disponível em três versões, a disposição interior permite albergar entre 49 e 55 passageiros, versões de 12 e 13,80 metros respectivamente, numa configuração de origem optimizada, versada no conforto do cliente. A denominação dos modelos, varia de acordo com as dimensões:

Lion's Coach (12 m)
Lion's Coach C (13,26m)
Lion's Coach L (13,80 m)


A Neoplan, conceituada empresa de produção de autocarros completos, pertença do grupo MAN, dispõe de alguns nomes sonantes do panorama rodoviário europeu. Skyliner, Starliner, Cityliner e Tourliner são actualmente os quatro modelos de catálogo da marca alemã. Por terras lusas, este segmento resume-se a um vazio, recaindo a escolha de produtos MAN, com carroçaria produzida pela própria MAN. No entanto, um pouco por toda a Europa, os modelos Skyliner e Starliner estão bastante presentes.



Ao longo dos últimos anos, há uma maior permeabilidade das empresas para a aquisição de autocarros completos, veículos onde a produção do chassis e da carroçaria se assume como uma única construção, contribuindo desta forma para a concentração da assistência técnica num só local.

No entanto, a maior diferenciação entre os modelos produzidos no estrangeiros e os nacionais, acontece em meados da década da 80, com a entrada em operação de alguns Mercedes-Benz O303, ao mesmo tempo que a Salvador Caetano produzia o bem sucedido modelo Beta, destinado sobretudo a encurtar longas distâncias, no serviço Expresso.

Hoje, o panorama é ligeiramente diferente, tendo havido um claro ponto de viragem por volta de 2004. Para tal, contribuiu a Irizar, com a propagação, talvez o caso de maior sucesso no menor espaço temporal, do modelo PB, operando hoje grande parte de serviços Expresso de Norte a Sul. Ao mesmo tempo que o PB é lançado em Portugal em larga escala, a CaetanoBus introduz no mercado o Winner, um projecto arrojado da criadora Almadesign, que viria a conhecer o maior sucesso por terras de sua Majestade. Nestes últimos quatro anos, o Viaggio da Marcopolo, os MK VIIm e MK VIIIm da Irmãos Mota, e o Winner da CaetanoBus tem servido na quase totalidade, as opções dos operadores pelo material nacional, onde evolução estética e conforto tem marcado o dia-a-dia das preocupações dos carroçadores.

 

Tabela comparativa da evolução de autocarros de longo curso, produzidos na Europa, e em Portugal, com maior expressão no volume de vendas, para os anos assinalados:

  Produção Estrangeira
Produção Nacional
     

1988

Mercedes-Benz O303

Salvador Caetano Beta

1992

Mercedes-Benz O404

Salvador Caetano Delta

1996

Evobus MB Tourismo

Camo Apollo DD

2000

Evobus MB Travego

Salvador Caetano Enigma

2004

Irizar PB

CaetanoBus Winner

2008

Evobus MB Tourismo

Irmãos Mota Atomic MK VIIIm




Elaborado por Leandro Ferreira
Última actualização em Setembro de 2008


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