» Viajando... por Terras do Sado




 

Nesta 4º edição do Viajando, escolhemos o sul de Portugal para apresentar o seu roteiro turístico. Desta forma, os nossos locais de eleição situam-se na região da península de Setúbal, nomeadamente, a cidade de Setúbal, a vila de Palmela e a estância balnear de Sesimbra. 
Mantendo o espírito que tem marcado todas as anteriores edições, o presente Viajando... privilegia o uso dos transportes públicos, desde os tradicionais Cacilheiros até aos modernos comboios da Fertagus, passando pelo transporte rodoviário em autocarros.


O ponto de partida desta viagem é a Estação Fluvial Sul e Sueste, em Lisboa, de onde partem as embarcações que fazem a travessia entre a capital e a cidade do Barreiro. Sugerimos que tome o barco que parte de Lisboa pelas 08:05. Os modernos Catamarãs que fazem este percurso são bastante rápidos e confortáveis, transportando-nos até ao Cais Fluvial do Barreiro em cerca de 30 minutos. Após a saída da embarcação, desloque-se até à estação ferroviária do Barreiro, imediatamente ao lado do terminal fluvial, de onde uma automotora da série 0600 da CP partirá rumo a Setúbal. O apito do chefe da estação marca a partida da composição à hora prevista: 08:51.

Cidade industrial e importante terminal ferroviário nos seus tempos áureos, o Barreiro foi perdendo a sua importância como elo de ligação entre o Norte e o Sul no transporte ferroviário com a abertura da ligação ferroviária pela Ponte 25 de Abril e o nó de ligação do Pinhal Novo. A estação que até 2004 era o términus dos serviços de longo curso para o Alentejo e para o Algarve, actualmente apenas serve para o serviço suburbano Barreiro – Praias do Sado. Fruto do abandono a que este complexo ferroviário tem sido deitado (esta estação teria óptimas condições para albergar um núcleo museológico), a área circundante à estação do Barreiro tornou-se um depósito de material circulante abatido, dando a sensação a quem por aqui passa de estar num autêntico “ferro-velho” ferroviário.

Após abandonar a malha urbana da cidade do Barreiro, a automotora avança pelas planícies ribatejanas, onde longos campos a perder de vista, com o Tejo em plano de fundo, são visíveis.
Pinhal Novo. Esta estação, recentemente beneficiada e ampliada, tornou-se num importante interface com a construção da passagem ferroviária pela Ponte 25 de Abril, uma vez que assumiu um determinante papel enquanto nó de confluência de serviços suburbanos e de longo curso. O antigo edifício, datado de 1935 é decorado com uma colecção de azulejos representando diversas paisagens do distrito de Setúbal. Com a construção da nova estação, o antigo imóvel está actualmente vocacionado para instalações técnicas e culturais, nomeadamente sala de exposições. A Torre de Controlo, da autoria do arquitecto Cotinelli Telmo e datada de 1938 é considerada Imóvel de Interesse Municipal.

Ao fim de cerca de 45 minutos de viagem, chega-se à estação principal de Setúbal. Também conhecida como a estação da Praça do Brasil, tornou-se num importante terminal ferroviário com a chegada do serviço da Fertagus a esta estação, permitindo uma ligação ao centro de Lisboa em cerca de 55 minutos com total comodidade.
A 3 minutos da estação principal está o apeadeiro da Praça do Quebedo. É nessa estação que aconselhamos a sua saída e início da visita pela bela cidade de Setúbal.

Setúbal

Localizado a pouco mais de 5 minutos de distância do ponto de partida, o melhor local para se obter uma panorâmica de todo o estuário do Sado e Península de Tróia, bem como toda a área ribeirinha de Setúbal, é o Miradouro de São Sebastião. Daqui, pode-se também observar a Fortaleza e Pousada do Castelo de S. Filipe, um dos monumentos mais importantes da cidade.

Setúbal possui vestígios de ocupação humana desde o período Neolítico, passando pela presença romana, cujos vestígios se conservaram até aos dias de hoje com as ruínas de Cetóbriga, na margem sul do estuário, junto à estância turística de Tróia.

No decorrer do Século XV foram desenvolvidas actividades económicas ligadas sobretudo à indústria e ao comércio. Foi também neste século que se estabeleceram nesta região os primeiros conventos franciscanos. No entanto o principal desenvolvimento desta região verificou-se com a época dos Descobrimentos, tendo D. Afonso V, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer. No Século XVI, durante as invasões espanholas ao território português, foi edificada a Fortaleza de S. Filipe com a função de oferecer defesa contra invasores, bem como melhor subjugar os setubalenses.

Com o terramoto de 1755, muitos edifícios foram destruídos, e as freguesias localizadas na zona mais baixa de Setúbal foram gravemente afectadas.O grande desenvolvimento económico deu-se ao longo do século XIX e a vila, entretanto elevada a cidade em 1860 e a sede de distrito em 1926, transformou-se num dos mais importantes centros comerciais e industriais do país.

Bem próximo do miradouro de S. Sebastião, está a Casa de Bocage, a qual o aconselhamos a visitar. Manuel Maria Barbosa du Bocage, considerado por muitos o maior poeta português do século XVIII, nasceu em 1765 na Rua Edmond Bartissol, na casa que hoje alberga o seu espólio museológico. Do erotismo ao brejeirismo, da crítica construtiva ao escárnio, Bocage escreveu até à morte, em 1805 em Lisboa, de tudo e sobre tudo, sendo por isso frequentemente alvo de censura, tendo visto muitos dos seus versos cortados, alterados, ou simplesmente omitidos e publicados a título póstumo. Na Casa de Bocage, poderá encontrar uma exposição permanente sobre a vida e obra do poeta e sobre a época em que viveu. As viagens de Bocage sobretudo ao Oriente, a cidade de Setúbal na época do poeta e os vários aspectos da sua obra são temas constantes na exposição.

A Igreja de Santa Maria da Graça, fundada no século XIII, é considerada o “coração” do primitivo burgo medieval, tendo sido em torno desta que se desenvolveu o mais importante bairro medieval da cidade, assim como o centro religioso e político-administrativo. O actual edifício é uma reconstrução do alto renascimento com uma imponente fachada maneirista. No interior ostenta colunas com frescos, talha e azulejos dos Séculos XVII e XVIII.

Na Praça de Bocage, onde existe uma estátua alusiva ao poeta em mármore branco, está a Igreja de São Julião. Datada da segunda metade do século XIII, foi reconstruída no século XVI embora tenha sido gravemente afectada pelo terramoto de 1755. No interior deste monumento pode apreciar-se a talha dourada e azulejaria do Séc. XVIII, custeados pelos pescadores de Setúbal. 

Mais à frente, um dos marcos principais do estilo Manuelino em Portugal – O Convento e Igreja de Jesus, construídos no final do Século XIV. Apesar de actualmente só ser possível visitar a Igreja, esta destaca-se por possuir uma capela-mor revestida de azulejos de caixilho e nela foi instalado entre 1520 e 1530 um retábulo de pintura, considerado um dos mais notáveis conjuntos de Arte do Renascimento em Portugal, e que se encontra exposto na Galeria de Pintura Renascentista anexa à Igreja. Defronte da Igreja está um belo cruzeiro em mármore vermelho da Arrábida.

Chegada a hora do almoço, aconselhamo-lo a saborear o que de melhor a gastronomia setubalense nos pode oferecer. O Concelho de Setúbal é conhecido pela qualidade e variedade do peixe e da forma como é confeccionado. Destacamos a Caldeirada de Peixe, o Choco frito, a Sopa do Mar e as diversas variedades de peixes assados na brasa. Também não menos prestigiados são os vinhos, de entre os quais o moscatel é rei e senhor, sobretudo quando acompanhados pelos célebres queijos de Azeitão. Na doçaria, o destaque vai para os doces de Azeitão, nomeadamente as tortas, os ''esses'', os queijinhos de amêndoas, e os Amores, bem como também a marmelada e os Barquilhos de Laranja, tendo como base a típica laranja de Setúbal.

                                

 
 

Terminado o repasto, parta à descoberta de um novo “Castelo” - Palmela. Tome, então, o autocarro 767 (ou 768) da TST que tem como destino V. N. de Azeitão. Sugerimos o autocarro que parte da central de camionagem às 14:30 (horário de fim-de-semana). Uma pequena viagem de cerca de 30 minutos separa as duas localidades.

Do cimo do Castelo de Palmela, avista-se uma extensa área que vai desde Sintra até Sines. A traça primitiva do castelo é atribuída aos Romanos, que fortificaram a povoação no ano 106, sendo reconstruído e acrescentado pelos Árabes. Em 1166, D. Afonso Henriques conquista Palmela aos Mouros e entrega-a à Ordem Militar de Santiago que lhe deu foral em 1185. Com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal no século XIX, o castelo conheceu um período de relativo abandono até aos anos 60 do século XX, altura em que foi alvo de um profundo restauro, com o objectivo de o transformar na actual pousada turística, uma das mais belas de Portugal.

Outros monumentos em Palmela merecem também ser visitados: a Igreja de Sant’iago, localizada dentro da cerca primitiva do castelo, constitui um notável templo do da 2ª metade do Séc. XV. De destacar o seu relógio datado de 1752. 

Fora das muralhas do Castelo está a Igreja de S. Pedro, datada da segunda metade do Séc. XVI. O seu interior encontra-se revestido por painéis de azulejos barrocos do Séc. XVIII representando cenas da vida de S. Pedro. Possui também no seu interior um importante conjunto escultórico e pictórico. Junto à Igreja de S. Pedro, há um pelourinho datado de 1645.


Sesimbra

O autocarro da TST 767 / 768 parte de Palmela pelas 17:50 com destino a Vila Nogueira de Azeitão. Lá, efectue o transbordo para o autocarro TST 230 oriundo de Setúbal com destino a Sesimbra. A viagem de autocarro é relativamente curta, pelo que pelas 18:30 chegará a esta bela estância de veraneio.

Conquistada aos Mouros por D. Sancho I, auxiliado por cruzados francos e elevada a Vila por D. Dinis em 1323, Sesimbra conserva dessa época o Castelo Medieval, situado num morro sobranceiro à vila, erguido a 240 metros de altitude. Encontra-se cercado pelas montanhas do Maciço da Arrábida, com excepção para uma abertura a sul de onde se pode avistar o mar e parte da vila de Sesimbra. Dentro das suas muralhas, fica a Igreja de Santa Maria fundada em 1160 e restaurada em 1721, que conserva uma imagem de Nossa Senhora dos Homens, datada do séc. XIII. 

Fora das muralhas, encontram-se outros monumentos que merecem ser visitados: destacamos a Igreja da Misericórdia com um retábulo quinhentista e um belo conjunto de azulejaria. De salientar a figura que representa o Senhor das Chagas.  Conta a lenda que esta imagem medieval apareceu no mar e foi recolhida por pescadores.

À noite, Sesimbra toma uma imagem especial, principalmente no verão. Os aromas da sardinha assada convidam-no a entrar num dos inúmeros restaurantes juntos à avenida marginal. Para além da sardinha assada, poderá apreciar variados pratos, essencialmente de peixe, que farão as delícias dos mais exigentes: destaque para o Arroz de Polvo, a Açorda de Marisco, o Ensopado de Lulas, a Caldeirada de Sesimbra ou ainda os Bifes de Espadarte.

Após o jantar, aprecie mais uma vez o espectáculo natural que esta vila piscatória nos tem para oferecer com um passeio a pé pela avenida marginal. 

Caso deseje permoitar em Sesimbra,a oferta é diversa e de boa qualidade. De entre a oferta hoteleira, destacamos o Hotel Sana Park Sesimbra na Av. 25 de Abril, o Hotel do Mar na R. Gen. Humberto Delgado, ou ainda o Sesimbra Hotel & Spa na Praça da Califórnia, mesmo em frente ao mar.

Para regressar, , sugerimos-lhe duas alternativas: de autocarro directo a Lisboa pela carreira 207 da TST, ou, em alternativa, tomando a carreira 241 da TST até à Estação de Coina e daí utilizar o serviço ferroviário da Fertagus, que o transportará até Roma-Areeiro, no centro da Cidade de Lisboa, término deste nosso Viajando Por Terras do Sado.

 


Por: Ricardo Taveira
Colaboração fotográfica de: João Lourenço, Diana Pereira e Pedro Almeida
Actualizado em Julho de 2007


 




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