» Museu Nacional Ferroviário activo e a funcionar



No passado dia 24 de Março foi apresentado o Museu Nacional Ferroviário, com pompa e circunstância, no Anfiteatro da Refer, no Entroncamento, pelo Presidente da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, o Eng. Carlos Frazão, e com a presença do Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Eng. Mário Lino, da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, do presidente da Refer, Luís Pardal, e do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Luís Boavida.

Na cerimónia protocolar, o empossado Presidente do MNF reafirmou que o Museu será Nacional e terá a sua área museológica principal no Entroncamento, mas manter-se-ão os núcleos museológicos espalhados pelo País, citou os espaços, mas ironia do destino esqueceu-se ou fez por se esquecer da Cidade do Barreiro!

Sim o Barreiro, terra de nobres tradições de ferroviários, mais até do que alguns pensam, até mais que o Entroncamento, não é bairrismo, é o chão das coisas, é a realidade dos factos! É só para lembrar, que grande parte do espólio do Museu Ferroviário de via larga é oriundo do Barreiro ou circulou na ex-Região Sul e foi reparado e assistido no Grupo Oficinal do Barreiro.

Dou, como exemplo, as locomotivas 1501, 1225, 1401, 1311, 1805, automotoras Fiat (Sotavento), Nohab-111, loco-tractores, Moyse e GE-1104, para não referir o material rebocado. Quem deve ser responsabilizado pela degradação, incúria e vandalismo do material motor Diesel abandonado no Barreiro?

A culpa não pode morrer solteira! Neste momento, existem quadros superiores da Empresa que têm culpas na consciência! Mas infelizmente só a História do Caminho-de-ferro em Portugal os pode julgar pelos prejuízos causados! Será que ninguém tem culpa formada pelo abandono e vandalismo causado à locomotiva Alco-1501? Penso, pelo menos, a quem disse “Nem olhem para ela, quanto mais a movimentar!” deve ter neste momento um peso muito grande na sua consciência!

De quem é a culpa do abandono do material rebocado que serviu de transporte aos clientes estrangeiros que nos visitaram aquando do Euro2004?

Mais, embora apareça como uma solução, que não é, o negócio da venda do material motor e rebocado para a Argentina, mas tudo não passa de mais uma encenação de “Folclore”, para nos iludir, os verdadeiros Ferroviários! Uma coisa é vender o material após ter sido abatido ao efectivo e em condições de poder circular e efectuar o serviço comercial – que neste caso tem um preço, noutro, é vender o mesmo material abandonado, vandalisado e a preço de sucata!

Porque demoraram tanto tempo, mais de dois anos, a resolver uma situação que aos olhos de todos era um facto consumado! Vários são os anos de serviço, a falta de matérias em stock e a electrificação de algumas linhas, e o mais grave é a política de encerramento de linhas, ramais e estações nestas últimas duas décadas!

Nos países com tradição Ferroviária são preservados, o material motor e rebocado, mas a funcionar. No nosso vende-se e a preço de sucata! Porque não é salvaguardado material motor e rebocado para efectuar comboios turísticos em linhas de procura como a do Douro ou a do Alentejo?

Para nós Ferroviários, é com enorme tristeza e revolta que vemos apenas, e só, uma locomotiva a vapor em funcionamento, a 0186, e mal, mesmo assim foi necessário recorrer aos nossos vizinhos espanhóis para nos fornecer peças para que funcione.

A locomotiva Witcomb-1311 está no Museu do Entroncamento, mas os seus motores Diesel não funcionam porque lhes falta a maior parte das peças. O mesmo vai acontecer a outras séries se não for acautelado o seu valor histórico. O Museu Nacional Ferroviário, deve ser um museu vivo em que o material se possa deslocar pelos seus próprios meios, e não como querem concretizar, um cemitério de sucata abandonada!

Porque não foi vendida uma das locomotivas da série English Electric-1800 aos amigos dos Caminhos-de-ferro ingleses quando ainda funcionava? É melhor vender para o país das pampas ao preço de sucata, pelo menos ainda dá para alguns viajarem até lá! Quanto nos custa a recuperação do material motor e rebocado para enviar para a Argentina?

Quem pagou a deslocação da automotora Allan-Vip a Setúbal, efectuada de noite, com beberete incluído a bordo, para observarem a locomotiva English Electric-1423 pelas janelas da Allan, e seu regresso às origens?

Estas e outras perguntas permanecem no ar!

Assim vai o nosso Museu Nacional Ferroviário!


Frederico Tavares – Ferroviário
23.04.06
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