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» A questão dos Importados
Os autocarros importados são um tema difícil de ignorar; está presente na vida de todos nós,
sejamos simples passageiros ou profissionais do sector. Os veículos
importados fazem, regra geral, parte do nosso quotidiano, uma vez
que estão cada vez em maior número, havendo frotas onde assume a maior
parte do parque. Consideramos por isso importante esclarecer um pouco o
público sobre esta matéria, uma vez que as noticias que vem nos media
sobre os importados são quase sempre a apontar os defeitos destes...e
nunca analisando a raiz do problema e as suas
vantagens.
I - Razões e Causas Devido à acentuada crise financeira de algumas empresas rodoviárias espalhadas pelo pais fora e a necessidade de rejuvenescerem a sua frota de modo a manter custos de operação relativamente moderados e dotarem as suas frotas de veículos mais modernos e adaptados ao serviço que prestam, a aquisição de autocarros usados foi a solução adoptada. Desde a segunda metade da década de 90, Portugal viu o parque de veículos usados aumentar exponencialmente. Para este facto contribuiu o estreitamento de relações entre os operadores portugueses e as multinacionais europeias fabricantes de autocarros.Os Mercedes O305/7 e O405/7/8, os modelos em maior escala nos importados, são veículos com consumos muito inferiores aos que vieram substituir, e hoje com a escalada do preço do petróleo este é um aspecto cada vez mais decisivo no equilíbrio das contas das empresas. A entrada das importações de grande escala começou já na década de 80, obtendo a sua maior expressão nos anos 90, e arrastando-se até aos dias de hoje. Há vários factores determinantes para estes acontecimentos. A privatização da RN (Rodoviária Nacional), e o seu parque obsoleto e envelhecido levaram as empresas a procurar urgentemente estratégias para o seu reacondicionamento.
O mercado onde Portugal vê a solução para o rejuvenescimento da sua frota é em grande escala na Alemanha; país determinante devido à zona geográfica de implantação das fábricas da MAN e Mercedes-Benz (Mercedes, Evobus e Setra).
a Transdev e a Stagecoach (embora esta já não opere
em Portugal), divididas em áreas geográficas distintas e específicas;
se esta ultima (Stagecoach) teve uma politica de importação quase
inexistente e de carácter muito específico - os únicos importados foram
dois autocarros Routemasters de 2 pisos), as outras 3 aproveitam o
facto de terem as suas instalações em outros países e com politicas de
renovação de frota mais implementadas, formando um número excedente de
autocarros, para os trazer poupando assim custos referentes a compra de
autocarros novos ou à importação de veículos de outros mercados. Casos bem patentes destas transferências, é a Arriva que deslocou
recentemente para Portugal vários Mercedes-Benz O405 / O408 da sua
congénere holandesa, enquanto a Transdev, grupo Francês, já colocou ao
serviço nas áreas servidas por esta empresa vários autocarros das suas
filiais Francesas; tais como Renaults PR100, Mercedes O305 com
carroçaria Heuliez e alguns Renaults da série S, encontrando-se estes
particularmente na zona de Braga.
Quanto à Alsa, os importados tem uma menor expressividade, tendo deslocado apenas alguns veículos para as suas empresas da área de Gaia, embora no que concerne à Rodoviária do Tejo, empresa igualmente participada pela Alsa, já se conseguem encontrar mais alguns Volvo ou Mercedes-Benz O405, percorrendo estes as nossas estradas já há alguns anos, e estando já alguns deles abatidos.
III - Principais veículos importados De entre todo o tipo de veículos importados, há aqueles que pela quantidade, se fazem destacar dos restantes. Podemos organiza-los em quatro grandes grupos:Mercedes-Benz O305 / O405 Sem dúvida os modelos em maior número nas importações. De norte ao sul, os autocarros urbanos standard da Construídos a partir de 1967 (O305) e 1984 (O405) são provavelmente os autocarros em que a maioria dos utentes pensa quando se falam em importados, talvez por serem a espinha dorsal de frotas de empresas urbanas de maior expressão a nível nacional, das quais podemos destacar, a Rodoviária de Lisboa, os Transportes Sul do Tejo e a Espírito Santo.
Derivados dos Mercedes-Benz O405 Juntamente com o muito popular modelo urbano O405, começaram também a aparecer por cá os restantes membros da família, primeiro o O405N (a versão de piso baixo do O405, especialmente dedicado a serviços urbanos, e desenvolvido a partir de 1989) e posteriormente os modelos O407 (a versão para transporte interurbano, com piso mais elevado, mais lugares sentados, espaço para bagagem e uma porta mais estreita, produzida a partir de 1985) e os O408 (um autocarro que tenta fazer a ponte entre um veículo urbano e um autocarro de turismo). Recentemente começaram a aparecer O405N2, uma versão melhorada do O405N que data de 1993, e o O405NU, uma versão de piso baixo mas para serviços “mais longos”.
Interurbanos MAN
Se os Mercedes O305/O405 foram importados em grande número, os autocarros “equivalentes” da MAN,
Outro conjunto de autocarros amplamente difundido pelo território nacional são as várias variantes da Setra S215; estes autocarros datam de 1980 e podem ser encontrados vindos quer da Alemanha, França ou Suiça, para várias empresas nacionais, tais como a Rodoviária de Lisboa (dispondo também de Setras articuladas), Transportes Sul do Tejo, Resende Transportes, Rodoviária do Alentejo, Boa Viagem, Barraqueiro Oeste, entre outras. Este autocarro foi substituído no início dos anos 90 pelos S315 também construído em diversos sub-modelos; embora (muito) menos numeroso já é possível ver alguns por cá, especialmente no Campo Grande, onde as Setras S315 da Rodoviária de Lisboa e Barraqueiro se cruzam diariamente.
V - Outros aspectos da Importação Se a importação por um lado tem alguns factores negativos, tais como a elevada idade média a que ficam sujeitas as frotas, por outro lado, principalmente para o entusiasta, tem aspectos um pouco mais positivos. A diversidade dos veículos importados alegra qualquer frota! Supondo a titulo de exemplo, uma empresa com um grupo de 20 autocarros Mercedes-Benz O405: vamos ter muitos veículos diferentes devido ao facto de cada carro ter a sua origem...a sua identidade: em resumo, cada veículo é único, e tem um historial de antigas companhias para descobrir, sendo possível inclusive conseguir fotografias deles em outros países em colaboração com entusiastas do Pais de origem do veículo. Analisando na óptica empresarial, é dada a possibilidade de melhorarem o seu serviço prestado com um investimento substancialmente mais reduzido que a aquisição de veículos novos, e a maior parte destas viaturas encontra-se em bom estado de conservação.
Por Ricardo Figueiredo e Paulo Fernandes
Actualizado em Janeiro de 2006
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