» Tecnologia Bluetec


Disponibilizados alguns veículos pesados de mercadorias a alguns operadores alemães em Abril de 2004 para testes, que percorriam cerca de 10 mil quilómetros semanais, e lançado no mercado em Fevereiro de 2005, passado um ano já as vendas ultrapassavam as 10 mil unidades, só de pesados de mercadorias. Tratava-se de uma tecnologia revolucionária no que toca a motores diesel, alcançando-se prematuramente o cumprimento das normas ambientais Euro 5 (obrigatória em veículos novos a partir de 2009), falamos da tecnologia SCR ou RCS (Redução Catalítica Selectiva) utilizada pela Mercedes-Benz sob a marca Bluetec. Seguindo a marca alemã, outros construtores europeus já disponibilizam também motores diesel utilizando esta tecnologia, exemplos da Volvo, da Renault, DAF e mais recentemente da Iveco, Scania e MAN, embora que estas duas últimas apenas como solução temporária. Esta tecnologia permite reduzir as graves emissões poluentes emitidas pelos veículos rodoviários e ao mesmo tempo reduzir o consumo, beneficiando duplamente os operadores, uma vez que aliados à redução de consumos estão os descontos no pagamento de portagens feitos por alguns países europeus a veículos menos poluentes cumpridores das normas Euro 4 e futuramente da norma Euro 5, que vigorá a partir de Outubro de 2009. 



Os Benefícios

Na Alemanha, à semelhança de outros países europeus, os governos, a fim de incentivar o uso de motores “limpos”, instauraram a cobrança de portagens obrigatórias nas Auto-Estradas, sendo que um veículo pesado Euro 3 paga mais que um Euro 4 ou Euro 5. No exemplo da Alemanha, um veículo Euro 5 paga menos 2 cêntimos por quilómetros que um veículo Euro 3, o que ao fim de um ano e de muitos quilómetros dá uma quantia considerável, sendo a Alemanha um exemplo a seguir por outros Estados Membros, como Portugal, onde as portagens para veículos pesados são muitíssimo caras. Mas não só nas portagens se beneficia, também o consumo de combustível é mais reduzido, os novos motores V6 e V8 da Mercedes consomem em média menos 3 por cento em comparação com outros motores. Mas não só o operador beneficia, o ambiente também, pois o aditivo AdBlue é responsável pela redução dos perigosos óxidos de nitrogénio no conversor catalítico. Segundo a marca, um depósito de 90 litros de AdBlue é suficiente para fazer uma viagem de 6500 Km antes de voltar a ter que reabastecer deste aditivo, que já é facilmente encontrado por toda a Europa. Mas as vantagens não se ficam por aqui, o aditivo AdBlue é uma solução aquosa não tóxica e não prejudicial ao meio ambiente não havendo qualquer perigo em caso de derrame. Além disso os motores bluetec, caso o aditivo se esgote, continuam a funcionar na perfeição e fazendo os mesmos consumos reduzidos, a única desvantagem é que não cumprem exactamente as normas ambientais. Para facilitar as coisas, estes motores “limpos” não exigem manutenção especial sendo o seu funcionamento muito idêntico ao dos seus parentes convencionais, o que permite manter custos de manutenção baixos para o operador. 



As Aplicações

A Mercedes-Benz inicialmente apenas disponibilizava motores BlueTec em veículos pesados de mercadorias, tendo iniciado os testes em Abril de 2004, distribuindo alguns camiões Actros 1844 e 2544, equipados com motores Bluetec 5, a alguns operadores alemães, terminando os testes com altos índices de satisfação tanto por parte dos engenheiros da marca de Estugarda como por parte dos Operadores. Neste momento já se encontram disponíveis também Autocarros com motores Bluetec, sendo que o primeiro veículo a testar esta motorização foi um Mercedes Citaro, um autocarro urbano. Para surpresa de todos a marca germânica também já possui protótipos de veículos ligeiros equipados com esta tecnologia, o que poderá levar a uma enorme mudança no sector automóvel e uma grande redução nas emissões poluentes, caso as outras marcas concorrentes adiram à ideia e que os governos incentivem à divulgação destes veículos.


O Funcionamento

Os motores Bluetec são motores diesel com ligeiras modificações. Para uma melhor combustão estes motores geram uma maior pressão dentro das câmaras dos pistões, o que leva à produção de partículas mais pequenas e ao aumento da potência com menos quantidade de combustível. Sendo assim um motor V8 pode consumir até menos 5 por cento que um motor V8 convencional. Mas para atingir as normas ambientais Euro 4 e Euro 5 modificar o motor não chega, é então aqui que entra a química. A tecnologia de Redução Catalítica Selectiva (SCR), utilizada pela Mercedes sob a marca BlueTec®, utiliza um aditivo denominado AdBlue ® que não é mais que uma solução aquosa não tóxica à base de ureia. Este aditivo é armazenado num depósito separado, e então com o motor em funcionamento, uma unidade electrónica detecta o consumo e as emissões que o veículo está a fazer e pulveriza a quantidade certa de aditivo no inicio do tubo de escape (clique na imagem em cima para ampliar o esquema), fazendo com que o AdBlue vaporizado se misture com os gases de escape, transformando-se esta mistura em Amoníaco, Vapor de Água e Óxido Nítrico, esta mistura de gases passa então por um catalizador de cerâmica onde tudo se transformará em Vapor de Água e Azoto, duas substâncias que se encontram naturalmente no ambiente. Já na cabine de condução, o motorista é informado de tudo, desde a quantidade de combustível existente no depósito, bem como a de AdBlue, é informado também do consumo de combustível e de AdBlue que o veículo está a fazer e do esforço do motor, de maneira a ter tudo sob controlo. 



A Comparação com a EGR

Comparando a Tecnologia SCR com a EGR (Recirculação dos Gases de Escape) é de notar que a SCR, na qual se baseia a Bluetec, é mais eficiente em termos de consumo.. Na EGR, parte dos gases expelidos pelo motor são arrefecidos e reaproveitados, voltando entrar no motor para diminuir a temperatura de combustão e para "requeimar" estes gases, apesar de se reduzir consideravelmente as emissões poluentes o consumo aumenta, sendo que para cumprir a norma Euro 5 utilizando a tecnologia EGR o consumo seria muito superior ao que é praticado por motores Bluetec, não sendo por isso economicamente viável, pelo menos para já, uma vez que motores com tecnologia EGR já satisfazem a norma Euro 4 rentavelmente. Apesar de mais fácil produção e de ser já uma tecnologia totalmente estabelecida, a EGR é batida pela SCR, se se comparar um motor SCR com a mesma cilindrada de um EGR, o motor SCR debita mais potência, é mais limpo e consome menos, por isso esta tecnologia encontra-se em franca expansão e já é utilizada pela grande maioria das marcas concorrentes. No entanto há que acrescentar o custo do aditivo AdBlue, no caso dos SCR, a poupança feita no consumo de combustível poderá ser quase toda gasta na utilização deste aditivo. Numa análise geral, a EGR aumenta o esforço do motor, o que resulta num aumento do desgaste das suas partes móveis e os filtros de partículas podem revelar-se inúteis caso o filtro fique bloqueado. Os motores Bluetec (SCR) conseguem já satisfazer a norma Euro 5, a sua combustão é mais eficiente e conseguem debitar mais potência com a mesma cilindrada.

 

 

 

Fonte: Mercedes-Benz
Por
Jorge Pereira
Julho de 2006

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