» Empresa de Transportes Gondomarense


Fundada em 1939, a nomenclatura da Empresa de Transportes Gondomarense, surge em gesto de homenagem ao concelho onde iniciou a sua actividade, e resulta da fusão de quatro das seis empresas de transporte colectivo regular que à altura laboravam em Gondomar.
Esta situação de concorrência manteve-se até 1957, altura em que a Gondomarense adquiriu as restantes duas empresas, resultado numa empresa capaz de responder aos desafios de transporte regular urbano e alugueres, que começavam então a florescer, em consequência do incremento de qualidade nos autocarros e da significativa melhoria das estradas, que permitia vencer distâncias cada vez rápido.

O concelho, à altura apenas uma Vila, começava a desenvolver e adquirir uma dinâmica própria, estendendo aos quatro cantos do mundo a fama de saber trabalhar o Ouro e a Filigrana, tornando-se um ícone nacional e Europeu neste segmento e consequentemente na maior indústria empregadora de Gondomar.

O serviço da Gondomarense assentava no transporte interurbano entre algumas freguesias de Gondomar até ao centro do Porto, praticando também serviços de aluguer e turismo, dotando a frota com veículos com um grau de conforto superior. É importante destacar que parte das carroçarias dos seus autocarros, até finais da década de 50 eram maioritariamente construídas nas instalações da Empresa de Transportes Gondomarense, assentando em criteriosas escolhas sobre os acabamentos a aplicar, de forma a que o cliente ficasse satisfeito com o conforto oferecido.
Os anos que se seguem, fortalecem a operação da empresa na região, atingindo uma centena de veículos em operação, maioritariamente com motorização AEC, à semelhança do que se passava praticamente em todo o País, e onde a UTIC assumia grande parte dos carroçamentos posteriores à década de cinquenta.

Em 1989, a empresa é estudada pelo Grupo brasileiro JAL com vista à sua aquisição, que se efectiva no mesmo ano, adquirindo a congénere AAMS - Américo António Martins Soares, sediada em Seixo (Gondomar) e que operava carreiras interurbanas entre o Porto, Valongo e Sobrado, além dos protocolos Férmier com a STCP. Actualmente as linhas exploradas ao abrigo deste acordo são as 10, 55, 68, 69 e 70, exigindo uma disponibilidade superior a 20 veículos diariamente. O acordo implica que a Gondomarense ceda o pessoal de condução, o veículo e a respectiva manutenção e operação. À STCP cabe a gestão tarifária e horária, tornando para o público estas cinco carreiras, em serviços STCP.

Como forma de cumprir os objectivos, que haviam destacado a sua operação no Brasil, desenvolveu um ambicioso processo de renovação de frota, ao mesmo tempo que aumentava a comunicação com o cliente e desenvolvia acções de formação aos seus colaboradores, factos que foram reforçados ano após ano, culminando no reconhecimento do esforço através da certificação de qualidade segundo a norma ISO 9001/2000.

A primeira aquisição da gestão JAL e a última de veículos usados, pauta-se por cinco Mercedes-Benz O303 e um único O307, que operaram maioritariamente na carreira 9 - Porto - Sebolido, que pela sinuosidade do traçado e distância foram destacados pelo conforto que ofereciam.
O Mercedes-Benz O307 - o número 124 da frota - operou serviços diversificados, sendo corrente estar afecto a pequenas carreiras de escolas ou na linha 11 - Souto - Ferreirinha - Gens, ambos no concelho de Gondomar.

No lote de aquisições é efectuada uma encomenda repartida pelos carroçadores Alfredo Caetano e Irmãos Mota, para a produção de vinte unidades, que abrangiam o transporte urbano, interurbano e longo curso Internorte, sendo 14 provenientes dos Irmãos Mota. Os autocarros 138 e 139 foram concebidos para o serviço internacional, enquanto que do 130 ao 135, e do 140 ao 143 dispunham de carroçaria urbana com cadeiras Estéban Urban90.

A renovação de frota, processa-se em moldes diferentes, daqueles que a Gondomarense levou a cabo durante anos. Se por um lado, os autocarros existentes em 1990 na E.T.G. não eram ainda considerados velhos, por outro exigia-se um novo modelo de exploração, adaptado à nova era da indústria rodoviária. Os motores Ingleses já há muito que tinham os dias contados e era urgente substituir por novo material, com melhores performances, consumos e conforto.
A motorização AEC e Leyland dava agora lugar à Mercedes-Benz em grande escala, com a presença residual MAN e da Volvo, num patamar inferior de grandeza e e aquisições anteriores à gestão JAL.

Em 1992 e 1993, são colocados em serviço mais de 40 autocarros, maioritariamente com motorização Mercedes-Benz OH1628/L, divididos entre Marcopolo Tricana, Mondego e Choupal II, Camo Camus e Irmãos Mota Atomic MK III.
Em pouco mais de 2 anos, mais de 60 veículos são substituídos e metade da frota da empresa tem uma imagem jovial, com sabor a modernidade e empenho. Os anos seguintes, são de desaceleração do ritmo de investimento, mas sem nunca estagnar.
Em 1996 é a vez da Scania entrar na empresa, apostando novamente na carroçaria Tricana da Marcopolo, mas com apenas 4 exemplares, onde são presença assídua desde 2005, nas carreiras 1 e 22, um serviço gerido pela STCP mas onde o único tarifário aceite é o intermodal Andante.

Em 1998, e com vista à substituição da maior parte da frota de veículos urbanos afectos ao serviço da STCP, são adquiridos 20 Mercedes-Benz O405, carroçados nos Irmãos Mota com o modelo que foi o recordista de vendas do construtor - UR95.

A par da renovação de frota, urge repensar a estratégica no que respeita a instalação fixas e oficinais. As oficinas de Ramalde e Valbom eram exíguas e o parqueamento da frota fazia-se até então maioritariamente na rua. São construídas de raiz as novas instalações em Fânzeres (Montezelo), com capacidade para parquear toda a frota, e ainda albergar o complexo oficinal ao longo dos seus 25.000 metros quadrados.

 

































Em 2000, é a vez da frota de interurbanos conhecer um novo incentivo, e sondam o mercado externo. A escolha recai na Evobus, que fornece 20 Integros (Evobus Mercedes-Benz O550 - Integro), substituindo os resistentes da velha guarda, com motorização Volvo, permitindo libertar as Salvador Caetano Beta, bem como outros modelos até ao nº 140 da frota da ETG, a maior parte dos quais transferidos para a Rodonorte..

No mesmo lote, vêm também um modelo urbano - Evobus Mercedes-Benz Conecto (O345) - que vêm integrar a frota do nº 307 ao 317, e circulam desde então exclusivamente nos serviços contratualizados com a STCP, com particular incidência no 55, 68 e 69.

Em Fevereiro de 2002, com o encerramento da circulação ferroviária na Linha da Póvoa para reconversão e operação pelo Metro do Porto, são necessárias dezenas de autocarros para efectuar serviço rodoviário alternativo. A Gondomarense é um dos prestadores de serviço e recebe da Rodonorte seis Mercedes-Benz OH1628/L com carroçaria Alfredo Caetano Royal, numerados de 342 a 347, que se mantiveram em serviço até 2006, sendo posteriormente vendidos às empresas Viúva Carneiro e Gafastur. O serviço alternativo compreendia numa primeira fase a ligação Praça da República/Bom Sucesso - Póvoa de Varzim/Trofa, mas com a abertura em 7 de Dezembro de 2002 da linha A, o inicio da viagem foi transferido para a estação de Metro do Viso. Na última fase com a abertura da Linha B até Pedras Rubras, a estação de Crestins passou a ser a nova base dos transportes alternativos da Póvoa de Varzim, mantendo-se no Viso as ligações da linha da Trofa.

Em Junho de 2005, o sector de Valongo e Paredes recebe oito autocarros Mercedes-Benz OC500RF, tornando-se a par das linhas da marginal do Douro, as que idade média mais baixa têm.

O ano de 2008 fica marcado com a entrada do primeiro autocarro pequeno na empresa, com a aquisição de um Evobus Mercedes-Benz Sprinter City 55, que opera o serviço nocturno das carreiras 5 e 6, e no período diurno a circular 17 baseada no centro de Gondomar. É também adquirido um novo autocarro para serviço Internacional - Evobus Mercedes-Benz Tourismo, um dos primeiros exemplares do novo modelo a circular no País.

A lista de frota dos veículos actualmente ao serviço pode ser consultada em: http://www.transportes-xxi.net/trodoviario/empresas/etg/listafrota



Grupo JAL

Em 1957, os primos Luiz de Andrade Flores e Mauro Almeida Flores, fundam a Empresa de Transportes Flores no Brasil.
O ponto comum entre a empresa Flores e a Empresa de Transportes Gondomarense, acontece em 1975 quando José Alves Lavouras adquire a Flores, com 36 autocarros e linhas que ligavam São João de Meriti e Duque de Caxias.
A gestão introduzida por Lavouras trouxe um novo alento, construiu-se um refeitório para oferecer alimentação a todos os colaboradores e periodicamente realizavam-se reuniões com toda a equipa. A presença de José Alves na rua era habitual, quer para avaliar os procedimentos de condução, quer os de cobrança, sempre na espectactiva de encontrar novas formas de melhor servir o público e os colaboradores.
Em 1978, adquire a Auto Lotação unidos, transferindo a sede para o espaço ocupado pela nova aquisição, numa área de 56 mil metros quadrados.
O final da década de 80 traz a entrada do grupo JAL em Portugal, com a aquisição da Empresa de Transportes Gondomarense, e da Américo António Martins Soares, ambas de Gondomar, e da Empresa de Camionagem Cabanelas, rebaptizada em 1992 de Rodonorte - Transportes Portugueses.
A área de negócios do grupo, passa também pelas Águas e Estalagem Carvalhelhos, em Boticas.

A operação da JAL no Brasil, passou também pela criação da creche Maria Alves Lavouras, inaugurada em 1992 em parceria com a edilidade de São João de Meriti.
Merecem destaque ainda os Projectos 'Cuide-se' e 'O Dia nos Museus', do Instituto Ary Carvalho e do Jornal O Dia. O primeiro leva educação sexual e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e do uso de drogas a estudantes, e o outro leva cultura aos estudantes através de visitas aos principais museus. Em ambos, a Flores oferece o transporte.
Na última década, a Flores e os seus colaboradores desenvolvem a Campanha Natal+, que conta com a ajuda dos clientes, onde são arrecadados alimentos, roupas, calçados, brinquedos e produtos de higiene e limpeza para serem doados a instituições de carácter social.
Ciente da responsabilidade ambiental, a empresa Flores alberga uma estação de Reciclagem de Água, para reciclar a água utilizada no processo de lavagem da frota e aproveitar a água da chuva.
Hoje, a família Lavouras gere cerca de dois milhares de autocarros, e emprega mais de dez mil colaboradores. Porém, o sucesso teve um custo extraordinário. José Alves Lavouras, fundador do grupo, foi sequestrado e morto no Rio de Janeiro há uma década.

 

Por Leandro Ferreira

Fotografias de Leandro Ferreira, Diana Pereira, Marco Lindo e E.T.G.

Actualizado em Maio de 2009

 

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