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Do Berço à Idade Adulta

Breve Introdução Histórica

Navegar próximo à costa sempre foi complicado, sobretudo à noite, quando a visibilidade era praticamente nula. Rochas submersas e bancos de areia eram algumas das armadilhas montadas. Aos poucos, fogueiras iam sendo montadas em locais isolados ou mais atreitos a acidentes, sobretudo por frades, dada a localização, muitas vezes isolada, de conventos. Exemplos disto são os faróis do Cabo S. Vicente, da Nossa Senhora da Guia e da Nossa Senhora da Luz, construídos no século XVI. Este último farol, por muitos considerado o mais antigo farol português, estava localizado a Norte da Barra do Douro.

Portugal teve que esperar até 1761, altura em que, por alvará pombalino, os faróis passaram a organização oficial e a sua construção foi encarregada à Junta de Comércio. O mesmo alvará mandou edificar seis faróis, dos quais apenas cinco foram de facto edificados: Nossa Sra. da Guia [1761], Cabo da Roca [1772], S. Julião da Barra [1761], Bugio [1775] e Serra da Arrábida [1775]. Só em 1790 se vieram juntar mais dois faróis, Cabo Carvoeiro e Cabo Espichel.

Por alturas de 1835, o Ministério da Fazenda assume a responsabilidade dos Faróis Nacionais e é, então, autorizada a construção de mais cinco edificações: Berlenga [1840], Cabo S. Vicente [1846], Cabo de Santa Maria [1851] e Cabo Mondego [1851]. Vinte anos depois, nova transição, desta para o recém-criado Ministério das Obras Públicas, e em 1864 é nomeada uma comissão, presidida pelo Eng. Hidrográfico Francisco Maria Pereira da Silva, para estudar uma outra passagem da tutela dos faróis, para o Ministério da Marinha. Deste estudo resultam melhoramentos nos faróis já existentes e a construção do farol do Cabo Mondego. Contudo, a tutela da Marinha sobre os faróis foi sol de pouca dura, uma vez que em 1866 regressou à Direcção Geral de Telégrafos e Faróis.

Também do projecto do Eng. Pereira da Silva, nasceram os faróis de Esposende [1866], Santa Marta [1868], Ponta de S. Lourenço [1870], Ponta do Arnel [1876] e do Cabo de Sines [1880].

Em 1881 é nomeada a Comissão de Faróis e Balizas, sob a tutela da Marinha, novamente em 1892, até aos dias de hoje. Dez anos depois, São criados os faróis de Aveiro, Cabo Raso e Ponta do Altar [todos em 1893], Sagres [1894], Ilhéu de Cima [1900], Ferraria [1901], Nazaré [1902] e Capelinhos [1903]. Em suma, até 1906 são criados 39 novos faróis ou luzes e reformados outros 13. De seguida, apareceram os faróis da Serreta [1908], Ponta das Lajes [1910], Ponta da Piedade [1913], Gibalta e Esteiro [1914], Ribeirinha [1919], Ponta do Pargo [1922], Vila Real de Santo António [1923], Albarnaz [1924], Leça e Gonçalo Velho [1930], Contentas [1934] e Ponta da Ilha [1946]. Em 1924 é criada a Direcção de Faróis, entidade subordinada à Marinha responsável, até aos dias de hoje, pelos faróis e farolins da Costa Portuguesa.

Em suma, existem em Portugal [Continente e Ilhas] 50 faróis e 338 farolins, já para não falar em balizas, bóias, sereias e afins, elementos auxiliares de navegação também subordinados àquele organismo.

"Actualmente, e de acordo com o quadro jurídico estabelecido através dos Decretos-Lei nºs 43/2002 e 46/2002, ambos de Março, que estabelecem as competências da sinalização marítima costeira e portuária,  estão a ser efectuados contactos e protocolos com as autoridades portuárias de modo a efectuar a passagem de património e a respectiva responsabilidade deste assinalamento para as mesmas."
in Marinha

Simbologia e Nomenclatura

Antes, contudo, de falar mais pormenorizadamente dos faróis nacionais, convém explicar a legenda de cada farol.

Peguemos no exemplo da legenda do farol do Cabo da Roca:

Local: Cabo da Roca - Sintra     indica a localização do farol
Altura: 22 m    altura da torre do farol
Altitude: 165 m    altura vertical desde a lanterna do farol até ao nível médio das águas do mar
Luz: Rl (4) Br 18s   Carácter da Luz
Alcance: 26 M    alcance nominal da luz do farol, isto é, o alcance dessa luz numa atmosfera homogénea com visibilidade meteorológica de dez milhas náuticas.
Ano de Construção: Ano em que a edificação foi concluída.
Ano de Automatização: Ano em que o farol prescindiu da necessidade de faroleiros.

Farol de Montedor

O farol de Montedor, o mais setentrional da costa continental portuguesa, viu a sua construção repetidamente adiada, embora desde meados do século XVIII se fizesse sentir a sua necessidade, só sendo terminado em 1910. Custou 22 mil reis [22 escudos].

Foi-lhe instalado o antigo aparelho óptico do Farol do Cabo S. Vicente.

Sete anos depois sofreu bastante com uma tempestade, tendo ficado com várias janelas partidas, telhas arrancadas e portas arrombadas.

Em 1947 é ligado à rede pública de electricidade e o terreno em seu redor foi vedado e 40 anos depois é automatizado.

Localização: Montedor [41º 45' N; 8º 52,2' W]
Altura: 28 m
Altitude: 103 m
Luz: Rl (2) Br 9.5 s
Alcance: 22 M
Ano de construção: 1910
Ano de automatização: 1987

Farol do Forte de S. João Baptista

Localização: Esposende [41º 32' N; 8º 47' W]
Altura: indisponível
Altitude: 15 m
Luz: indisponível
Alcance: 21 M
Ano de construção: 1866
Ano de automatização: indisponível

















 Farol de Leça

O farol de Leça da Palmeira entrou em funcionamento em 15 de Dezembro de 1926, substituindo os antigos faróis da Boa Nova [1916 – 1926] e da Nossa Senhora da Luz, este último, o primeiro farol da costa portuguesa [1961 – 1926].

Foi, também, escola de faroleiros, entre 1926 e 1962, onde os cursos elementar e complementar de faroleiro eram ministrados.

Em 1979 é iniciado o processo de automatização dos farolins do Porto de Leixões e do farolim de Felgueiras, que passaram a ser controlados a partir do Farol de Leça.



Localização: Leça da Palmeira [41º 12' N; 08º 42' W]
Altura: 46 m
Altitude: 57 m
Luz: Rl (3) Br 14 s
Alcance: 28 M [~51 km]
Ano de construção: 1926
Ano de automatização: 1979

Farol da Barra de Aveiro

O farol da Barra de Aveiro é o resultado de diversos acidentes ocorridos naquela costa. O primeiro esforço para a edificação de uma estrutura na região data de 1856, mas só em 1879 foi executado projecto, da autoria do Engenheiro Paulo Benjamim Cabral.

Apenas em 1893 entrou ao serviço, tornando-se no farol com a mais alta torre em Portugal e um dos maiores da Europa. Foi equipado originalmente com uma lâmpada de incandescência a vapor de petróleo e um aparelho óptico de 1ª ordem. A rotação era assegurada por uma máquina de relojoaria.

Somente em 1898 a sereia a ar comprimido, instalada originalmente em 1898 no molhe, foi transferida para defronte do farol, e já em 1908 foi substituída por um outro aparelho a vapor. Em 1935 o sinal foi re-instalado no topo do edifício do farol uma vez que a estrutura onde se encontrava foi derrubada pelo mar. No ano seguinte foi electrificado e em 1947 o aparelho óptico foi substituído por um outro de 3ª ordem. A lâmpada passou a ser de filamento, ficando a anterior de reserva. No ano seguinte é instalado um radiofarol e em 1950 é ligado à rede eléctrica, sendo mais uma vez substituída a lâmpada por uma de 3.000 W. A torre é munida de elevador em 1958 e nesse ano a potência da lâmpada é diminuída para um terço.

Localização: Barra de Aveiro [40º 38,64' N; 08º 44,79' W]
Altura: 62 m
Altitude: 66 m
Luz: Rl (4) Br 13 s
Alcance: 23 M [~43 km]
Ano de construção: 1893
Ano de automatização: 1990

 Farol do Cabo Mondego

O Farol do Cabo Mondego foi erigido entre 1855 e 1858, em pleno Parque Florestal da Serra da Boa Viagem, perto da Figueira da Foz.

Em 1902, decidiu-se que a luz, que até então era branca e fixa, passou a ser branca ritmada, com dois clarões.

Em 1916 foi elaborada uma proposta para mover o farol para outra posição, sendo que, por este motivo, o farol inicial do Cabo Mondego foi demolido. A edificação actual foi construída mais a norte que a primeira, entre 1917 e 1922, e foi munida da antiga óptica do farol do Penedo da Saudade.

O terreno do antigo farol foi cedido à Empresa Industrial e Mineira, em 1924, em troca do terreno da actual edificação.

Em 1941 o farol foi electrificado e em 1947 foi ligado à rede pública de electricidade.

O primitivo dispositivo que assegurava a rotação do aparelho óptico só foi substituído em 1982 por uma máquina eléctrica. Foi também o ano de uma remodelação das instalações eléctricas. Em 1988 foi automatizado.

Localização: Cabo Mondego, Figueira da Foz [40º 11,53 N; 08º 54,23 W]
Altura: 15 m
Altitude: 97 m
Luz: Rl Br 5s
Alcance: 28 M [~52 km]
Ano de construção: 1917 - 1922, em substituição da antiga construção.
Ano de automatização: 1988

Farol de Buarcos

Localização: Buarcos, Figueira da Foz [??º ??' ??'' N; ?º ??' ??'' W]

Altura: indisponível
Altitude: indisponível
Luz: Iso Br Vm Vd 6s9
Alcance: 5 M
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível




Farol do Penedo da Saudade

Houve grande indecisão quanto à localização do farol de S. Pedro de Moel desde meados do século XIX, altura em que se tornou obvia a sua necessidade, sendo que só em 1902 se decidiram pelo local conhecido como Penedo da Saudade. 10 anos depois, entrou em funcionamento.

Esteve apagado 3 anos devido à Primeira Grande Guerra, de 1916 a 1919. Em 1947 foi electrificado e 3 anos depois tornou-se num farol aeromaritimo.

Em 1980 foi ligado à rede públida de electricidade e automatizado.

Em 1983 sofreu grave danos devido a uma trovoada.

Entre 1997 e 1998 foram feitos grandes trabalhos de remodelação do edifício.

Localização: Penedo da Saudade [41º 45' N; 8º 52,2' W]
Altura: 32 m
Altitude: 55 m
Luz: Rl (2) Br 15 s
Alcance: 30 M
Ano de construção: 1912
Ano de automatização: 1980

Farol do Forte de S. Miguel Arcanjo

Localização: Sítio, Nazaré [39º 36' N; 9º W]
Altura: indisponível
Altitude: 49 m 
Luz: Oc 3s [côr indisponível]
Alcance: 15 M
Ano de construção: 1903
Ano de automatização: indisponível










Farol da Berlenga

O farol da Berlenga localiza-se na Ilha Berlenga, a maior do arquipélago das Berlengas.

Constou de início de alvará pombalino, em 1758, mas foi somente em 1836 que as obras começaram. Originalmente, o farol contava apenas com uma torre de alvenaria quadrangular de 29 m de altura, sendo que as construções auxiliares foram sendo-lhe acrescentadas posteriormente, de 1851 a 1860. Só entrou em funcionamento em 1842.

«Através de documentos da época, constata-se que a luz deste farol de pouco ou nada servia a navegação... “pois só de 3 em 3 minutos se mostra um clarão que não vai além dos 8 segundos, confundindo-se com qualquer outra luz de terra ou do mar”.»

Em 1883 com a aprovação do Plano Geral de Alumiamento e Balizagem das Costas de Portugal e Ilhas Adjacentes, foi proposto para este farol a substituição do aparelho catóptrico.

Depois de a substituição do aparelho inicial, em 1897, o farol passou a irradiar 3 relâmpagos agrupados a cada 30 segundos. Em 1924, é-lhe adicionada uma sereia de ar comprimido.

Em 1926 é electrificado, o que permite a substiruição da fonte luminosa de vapor de petróleo por uma lâmpada eléctrica, o que lhe forneceu um alcance de 36 M.

Em 1975 os familiares do pessoal faroleiro que até esta data habitavam na ilha, deixaram de o fazer, passando a ficar instalados em casas junto ao farol do Cabo Carvoeiro e 10 anos depois o farol foi automatizado e o aparelho óptico novamente substituído.. Em 1983, devido à forte pressão humana resultante do turismo, levou a que a ilha fosse elevada a Reserva Natural.

Já em 2000, o farol passou a funcionar a energia solar e um farol rotativo de alto rendimento foi igualmente montado, reduzindo o alcance para as 20 M.

«O Prémio Defesa Nacional e Ambiente, que tem como objectivo incentivar as boas práticas ambientais nas Forças Armadas Portuguesas, foi atribuído à Direcção de Faróis em 2001, pela candidatura apresentada pela Marinha portuguesa, “Energia Solar no Farol das Berlengas”.»

Localização: Ilha Berlenga [39º 25' N; 9º 30' W]
Altura: 29 m
Altitude: 121 m
Luz: Rl Br 10 s
Alcance: 27 M
Ano de construção: 1836 - 1841
Ano de automatização: 1985
Farol do Cabo Carvoeiro

O farol do Cabo Carvoeiro é um dos primeiros faróis da Costa Portuguesa, mandado edificar  por alvará pombalino em 1758. A torre original, com 21 m de altura, entrou em funcionamento em 1790. Junto, havia a igreja da Nossa Senhora da Ermida, que, já em 1865, se encontrava arruinada, assim como outros edifícios. O seu alcance, na altura, era de 17 M, o suficiente para a pequena altura a que se encontra.

Em 1886, é-lhe instalado um sinal sonoro e em 1923 é-lhe substituído o aparelho óptico inicial, mudando ytambém o carácter da lua, que, até então, era vermelha fixa, para vermelha ritmada de 4 relâmpagos agrupados.

Em 1947 passa a ser iluminado a gás e, 5 anos depois, a electricidade. Em 1988 é automatizado e é instalado novo aparelho óptico.

Ainda hoje é guarnecido por oito faroleiros, que, aos pares e semanalmente, também guarnecem o farol da Berlenga.

«Mais recentemente, em Dezembro de 2002, foi instalada no farol, uma estação de GPS Diferencial que, juntamente com uma outra instalada em Sagres, asseguram a transmissão de correcções ao GPS cobrindo todo o território do continente.

Fica assim um dos primeiros faróis da nossa costa intimamente ligado ao sistema de posicionamento mais actual, que permite a determinação da posição, de forma automática e com um rigor da ordem dos 5 metros.»

Localização: Cabo Carvoeiro [36º 21' N; 9º 24' W]
Altura: 27 m
Altitude: 57 m
Luz: Rl (3) Vm 15 s
Alcance: 15 M
Ano de construção: 1790
Ano de automatização: 1988
Farol da Ericeira

Localização: Ericeira [??º ??' ??'' N; ?º ??' ??'' W]

Altura: indisponível
Altitude: 34 m
Luz: Oc Vm 3s
Alcance: 6 M
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível





 Farol do Cabo da Roca

Trata-se do terceiro farol mais antigo da costa portuguesa, tendo entrado ao serviço em 1772 e o mais antigo edificado de raiz, já que os dois faróis mais antigos a este foram construídos aproveitando construções já existentes.

Em 1843 viu montado um novo aparelho de rotação, composto de dezasseis candeeiros de Argand com reflectores parabólicos.

Em 1883 foi aprovada a instalação de um farol eléctrico e de um sinal sonoro, com um aparelho óptico de 4ª ordem movido por engrenagens, que, devido à crise económica de então, só se viria a acender 14 anos depois, em 1897, sendo que o sistema de reserva era composto por um candeeiro a petróleo de 3 torcidas. Neste ano entrou, também, em funcionamento uma sereia a vapor.

Vinte anos depois, construiu-se uma instalação produtora de gás acetilénico, já que o gás do mercado não tinha a pureza adequada ao material instalado. Em 1932, o sinal sonoro é substituído por um outro, a ar comprimido, por sua vez substituído por uma sereia eléctrica em 1982 e extinto em 2000. Em 1937, é instalado um rádiofarol que viria a ser extinto em 2001 por deixar de ter interesse para a navegação.

Em 1946, o aparelho óptico é substituído por um aero-marítimo que, logo no ano seguinte, é substituído por outro, de 3ª ordem, com uma lâmpada de 3000W.

Em 1949 foi ligado à rede pública de abastecimento de água e em 1980 à de distribuição eléctrica. Em 1990 o farol foi automatizado e a instalação produtora de gás acetileno encerrada por se ter substituído a utilização deste pela energia fotovoltaica.

Este farol, juntamente com o do Cabo Espichel, define o primeiro Alinhamento da entrada da Barra de Lisboa. Ainda hoje é guarnecido por três faroleiros, que asseguram a assinalamento marítima entre o Cabo da Roca e a Ericeira.

Localização: Cabo da Roca - Sintra [38º46'.99 N; 9º29'.75 W]
Altura: 22 m
Altitude: 165 m
Luz: Rl (4) Br 18s
Alcance: 26 M [~48 km]
Ano de construção: 1772; Sofreu grandes remodelações em 1843
Ano de automatização: 1980
Farol do Cabo Raso

O Farol do Cabo Raso, instalado no Forte de S. Brás, foi construído após aprovação pela Comissão de Faróis e Balizas em 1885, sendo que o farol, no alto de uma torre de 15 m, emitiria um clarão branco a cada minuto.

Contudo, devido a problemas orçamentais, em 1894 entrou em funcionamento o Farol do Cabo Raso, munido do antigo aparelho de Olhão, entretanto obsoleto para a região. A luz era fixa, vermelha e fruto da queima de petróleo. Estava montada sobre um sistema que permitia a sua recolha durante o dia, tendo um alcance que rondava as 5 M. 

Em 1915, foi montada uma torre metálica de 13 m, elevando para 23 m a altitude da luz. Em 1922 o aparelho óptico foi substituído por um novo, sendo que o carácter da luz foi alterado, passando de vermelho fixo para ritmada vermelha com dois relâmpagos a cada 10 segundos.

Em 1947 o farol é electrificado e em 1969 é ligado à rede pública de electricidade, sendo automatizado em 1984. Também neste ano a óptica é novamente substituída por uma do tipo PBR-46. Esta última óptica é substituída no final de 2003 por uma lanterna.

Localização: Cabo Raso - Sintra [38º 42' 34,67'' N; 09º 29' 12,38'' W]
Altura: 13 m
Altitude: 23 m
Luz: Oc (3) Br 15s
Alcance: 20 M
Ano de construção: 1894
Ano de automatização: 1984
Farol da Guia

Desde inícios do século XVI que se vêm luzes na Ermida de Nossa Senhora da Ermida, como auxílio aos navegantes. A irmandade local chegou inclusivamente a construir uma torre, financiando tanto o azeite como a manutenção do farol. Contudo, esta edificação ficou bastante danificada com o terramoto de 1755, o que obrigou a grandes obras e à substituição do equipamento.

O actual farol foi edificado em 1761, por ordem de alvará pombalino, sendo um dos 5 faróis edificados por ordem desse alvará. Inicialmente, emitia luz branca, fixa, com um alcance de 13 M num sector de 240º, a partir de 16 candeeiros de Argand, do alto de uma torre de oito faces construída em alvenaria.

Em meados do séc XIX, a torre é forrada a azulejos brancos. Em 1879, é-lhe substituído o aparelho óptico iluminado por um candeeiro alimentado a gás de petróleo, posteriormente, em 1897, substituído por outro de duas torcidas. O alcance passou a ser de 15 M, num sector de quase 290º.

Em 1938, o candeeiro é substituído por um eclipsor a gás, sendo a carácter alterado para 3 relâmpagos a cada 15 s, num alcance de 21M. É, também, instalada uma luz vermelha fixa na direcção do enfiamento com o Farol de Santa Marta.

Em 1957 é electrificado. Também neste ano, a lanterna vermelha é-lhe retirada, sendo a sua óptica dotada de um filtro dessa cor. É automatizado em 1982.

Local: Cascais [38º 41' 44,17'' N; 9º 26' 47,43'' W]
Altura: 28 m
Altitude: 58 m
Luz: Iso Br Vm 2s
Alcance: Br 19 M; Vm 16 M
Ano de Construção: 1761
Ano de Automatização: 1982
Farol de Santa Marta

O Farol de Santa Marta é mandado erigir no forte de mesmo nome no ano de 1864, sendo concluído em 1867. Em 1868 é construída uma pequena torre. Em 1882, a Comissão de Faróis e Balizas ordenou uma remodelação ao farol, aumentando a primitiva estrutura em 4 metros de altura, passando a luz, que permaneceu vermelha, a iluminar um sector de 200º. Este farol define, juntamente com o farol da Guia, o enfiamento Norte da Barra do Tejo.

Já em 1936, a torre foi novamente aumentada em 8 m, devido à crescente pressão urbanística. Esta empreitada custou, na altura, 32.775$00.Em 1953 é electrificado com energia da rede pública, havendo um sistema de reserva da fonte luminosa por incandescência de acetileno. A luz passou de vermelha fixa para vermelha de ocultações. Em 1964, a instalação de reserva à base de acetileno é desmontada, uma vez que no seu lugar foi instalado um grupo electrogéneo. Em 1980/1981 o farol é automatizado. Em 2000 as habitações do farol são cedidas à Câmara Municipal de Cascais para a criação de um pólo museológico dedicado aos faróis.

O farol encontra-se, agora, em obras de restauro.

Localização: Forte de Santa Marta, Cascais [38º 41' 25,14'' N; 9º 25' 0,29'' W]
Altura: 20 m
Altitude: 25 m
Luz: Oc Br/Vm 6s
Alcance: Br 18 M; Vm 14 M
Ano de construção: 1868
Ano de automatização: 1981

Farol do Forte de S. Julião da Barra

Instalado na fortaleza que serve de Residência Oficial do Ministro de Estado e Defesa Nacional, cuja construção foi iniciada em 1553, entrou em funcionamento em 1761, com uma fonte luminosa alimentada a azeite, protegida por uma lanterna em pedra com vãos para passagem da luz. Em 1775 é instalado um aparelho de candeeiros de Argand com reflectores parabólicos. O farol, em 1848 e 1865, é modernizado, tendo sido nesta última data instalado um aparelho lenticular de Fresnel de 4ª ordem, produzindo luz branca fixa, alimentada a gás destilado de madeira. A iluminação, em 1885, passou a ser obtida pela incandescência de gás obtido do petróleo. O farol voltou a sofrer novas reparações em 1893 e 1913, sendo-lhe instalado um sinal sonoro de trompa em 1916, mas logo em Março desse ano e até Dezembro de 1918, esteve apagado em virtude da I Grande Guerra. Por motivo da resolução da Conferência de Balizagem realizada em Lisboa, em 1933, que bania as luzes fixas das balizagens marginando cidades ou povoações importantes, a luz do farol, que era branca fixa, passou a vermelha de ocultações, sendo o mesmo electrificado, por ligação à rede pública de energia e o sinal sonoro substituído por uma sereia electrodinâmica. O Farol de S. Julião sempre teve grande significado para os marinheiros, já que além das suas funções de alumiamento forma, com o seu homónimo do Bugio, um alinhamento que define a entrada/saída da Barra de Lisboa, a denominada passagem entre torres. O momento dessa passagem marca a entrada no mar oceano e a preocupação com o que se terá de enfrentar ou a chegada da missão cumprida e o reconfortante regresso a casa.

Localização: Forte de S. Julião da Barra de Lisboa, Oeiras [38º 40' N; 9º 19'W]
Altura: 24 m
Altitude: 39 m
Luz: Oc Vm 5s
Alcance: 14 M [~26 km]
Ano de construção: 1775
Ano de automatização: 1980

 

Farol da Mama Sul

Esta marca data originalmente de 1857, sendo durante a maioria da sua vida uma marca cega (i.e., não iluminada), tendo sido munida com uma lanterna direccional Tideland RL 355 apenas em 1995. Encontra-se erguida no alto da Serra de Carnaxide e constitui a marca posterior do enfiamento da Barra Sul do Tejo, em conjunto com os faróis da Gibalta e do Esteiro.

Localização: Serra de Carnaxide [38º 43'.00'' N; 9º 13'.99 W]
Altura: 15 m
Altitude: 82 m
Luz: Iso Br 6s
Alcance: 21 M [~39 km]
Ano de construção: 1857

Farol do Esteiro

O Farol do Esteiro define, juntamente com os Farois da Gibalta e da Mama, o enfiamento de entrada da Barra Sul do Porto de Lisboa.

Foi concluído em 1914, juntamente com o primeiro farol da Gibalta [entretanto demolido]. O seu aparelho óptico é do estilo "Olho de Boi" em que a sua luz varre apenas um sector de 15º do horizonte.

A Segunda Guerra Mundial ditou o seu encerramento de 1916 e 1918. Em 1926 foram-lhe pintadas duas riscas horizontais vermelhas na face sudoeste.

Foi ligado à rede pública de energia eléctrica em 1951, tendo um motor-gerador auxiliar de emergência no caso de falha, ano em que a sua luz mudou de fixa vermelha para ritmada.

Em 1957 foi montado um novo equipamento eléctrico que no caso da falha de corrente, passa automaticamente a gás acetileno.

Viu instalado no exterior da torre, de 1960 a 1961 e em 1970 lâmpadas vermelhas fluorescentes, para tornar o tornar mais visível. As luzes colocadas em 1970 acabaram, também, por ser retiradas anos mais tarde.

Em 1981 foi automatizado, sendo monitorizado a partir da central de Paço de Arcos e em 1997 passou a funcionar em regime permanente todo o ano.

Localização: Esteiro - Mata do Estádio Nacional [38º 42' 30'' N; 9º 42' 30'' W]
Altura: 15 m
Altitude: 82 m
Luz: Oc Vm 6s
Alcance: 21 M [~39 km]
Ano de construção: 1914
Ano de automatização: 1981

 

Farol da Gibalta

O Farol da Gibalta, juntamente com os Farois do Esteiro e da Mama, veio substituir os antigos Faróis, contruídos originalmente entre 1978 e 1979, instalados no Alto de Caxias e Porto Côvo, munidos de uma luz vermelha fixa, em Maio de 1914. Foram, tambés estes, munidos de uma luz vermelha fixa.

Apenas em 1951 a luz passou a ser ritmada. Contudo, em 1952 houve um desabamento de terras e a consequente destruição da antiga estrutura. A actual construção entrou em funcionamento a 10 de Fevereiro de 1954, a cerca de 30 m da antiga construção.

Em 1981 é automatizado, deixando, portanto, de estar munido de faroleiros.

Em 1987 os faróis do Esteiro e Gibalta passam a estar acesos de 1 de Outubro a 15 de Março, passando apenas em 1997 a estar acesos permanentemente durante todo o ano.

Localização: Entre Caxias e Cruz Quebrada, Oeiras [38º42'.02 N; 9º15'.89 W]
Altura: 21 m
Altitude: 31 m
Luz: Oc Vm 3 s
Alcance: 21 M [~39 km]
Ano de construção: 1954 [após derrocada da anterior estrutura]
Ano de automatização: 1981


Farol do Forte de S. Lourenço da Cabeça Seca

Instalado no Forte de São Lourenço da Cabeça Seca, construído no Alpeidão [ou Cabeça Seca ou ainda Cachopo Sul], um banco de areia permanente [não estático] na foz do rio Tejo, originalmente terminado em 1657, o farol do Forte, conhecido como Bugio, é uma das mais carismáticas construções deste género no Mundo. A actual estrutura data de 1775, uma vez que a antiga fortaleza, assim como o antigo farol, foram parcialmente destruídos pelo terramoto de 1755. A ideia original consistia em construir uma fortaleza que permitisse proteger o canal da Trafaria, um pequeno canal no extremo sul da foz do rio. Contudo, a estrutura foi concebida tendo em vista proteger as águas calmas do Tejo com fogo cruzada não só com a fortaleza da Trafaria [protegendo, assim, o tal canal] mas também com outro forte da mesma altura, o de São Gião da Barra [mais tarde S. Julião], de piratas e corsários franceses.

Foi alvo de várias obras e reconstruções. Uma das últimas foram 4 cúpulas abobadadas couraçadas cuja função era abrigar canhões, estrutura essa desmantelada algures nos anos '60.

Em 1945 o interesse militar sobre o forte acabou, passando este a ter uma função exclusivamente de auxílio à navegação marítima. As guarnições de militares foram sendo gradualmente substituídas por faroleiros e suas famílias.

Pensa-se que o nome Bugio pelo qual é conhecido se deva aos bate-estacas da sua construção, à palavra francesa bougie (vela), ou à sua localização relativa, pois há inúmeros locais noutras barras com a mesma denominação.

Em 1994 foi instalada uma lanterna omnidireccional de 300 mm de luz eclipsada, e um novo sinal sonoro, passando a funcionar com energia solar.

Em virtude da sua posição, o forte de S. Lourenço tem sofrido ao longo dos anos, vários danos provocados pelo mar. Segundo documentos existentes, assim aconteceu em 1788, 1804, 1807 e 1818, tendo por isso sido objecto de várias obras de reparação e consolidação. As últimas grandes intervenções ocorreram em 1952, 1981 e designadamente em 2000 quando toda a estrutura esteve em risco de desabar.

Pela forma isolada como se encontra no mar, balizando a mais frequentada das nossas barras, dando acesso ao mais importante porto do País, e ainda pela qualidade arquitectónica da fortaleza, o Bugio constituiu sempre um pólo de grande atracção.

Localização: Cachopo Sul, Barra do Rio Tejo, Lisboa [38º39'.70 N; 9º17'.85 W]
Altura: 16 m
Altitude: 28 m
Luz: Rl Vd 5s
Alcance: 9 M [~16 km]
Ano de entrada ao serviço: 1775, após derrocada da anterior estrutura; sofreu posteriores remodelações.
Ano de automatização: 1981


Farol do Cabo Espichel

O farol do Cabo Espichel, erguido em 1790, foi mandado construir por alvará pombalino de 1758, emitindo luz branca fixa.

Em 1883 foi-lhe intalado um novo aparelho óptico que alterou o carácter da luz para quatro clarões brancos e um alcance de 28 M. Era, até 1886, alimentado a azeite, passando, a partir de então, a ser alimentado por vapor de petróleo e em 1926 foi electrificado. Também em 1886, foi-lhe instalado o primeiro sinal sonoro, um sino accionado mecanicamente, substituído, apenas, aquando da electrificação por uma sereia de ar comprimido, actuada por um motor de explosão, que produzia um som de 5 segundos a cada 15. Ainda hoje existe no local apesar de desactivada.

No início do Século XX, os edifícios anexos à torre foram aumentados em ambos os lados.

Em 1947 é montado um novo aparelho óptico, anteriormente instalado no farol do Cabo da Roca, tornando-se num farol aero-marítimo, que produzia relâmpagos simples com um alcance de 42 M. No ano seguinte foi instalado um rádio farol, modernizado em 1953 e em 1981 foi substituído por um moderno equipamento de construção nacional.

O farol tem hoje um alcance de 26 M e está totalmente automatizado desde 1989, apesar de ser guarnecido por três faroleiros.

Localização: Cabo Espichel, Sesimbra [38º 25,01' N; 09º 12,89' W]
Altura: 32 m
Altitude: 168 m
Luz: Rl Br 4s
Alcance: 26 M [~48 km]
Ano de construção: 1790
Ano de automatização: 1989

Racon B

Localização: Foz do Sado, Setúbal [??º ??' ??'' N; ?º ??' ??'' W]

Altura: indisponível
Altitude: indisponível
Luz: Rl (2) Vm 10s
Alcance: 9 M
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível






 Farol do Forte do Cavalo

O Farol do Forte do Cavalo está instalado no antigo Forte de S. Teodósio, construído entre 1648 e 1652 na Ponta do Cavalo, em Sesimbra, Setúbal.

O farol propriamente dito, assim como os alojamentos para os faroleiros que o guarneciam, foram erigidos na bateria superior do forte em meados de Novembro de 1895, entrando em funcionamento em Setembro do ano seguinte, emitindo uma luz vermelha, fixa, do alto de uma torre de 6 m.

Em 1927 a luz foi alterada para branca de ocultações.

Em Fevereiro de 1940, transita para o Ministério da Marinha, enquanto que o forte transita para o Ministério das Finanças. 

Em 1959, a torre branca foi pintada de vermelho, cor que actualmente ostenta. Em 1972 é electrificado e onze anos depois é remodelado e automatizado, passando a utilizar lâmpadas de halogéneo com cambiador.

Possui, nos dias de hoje, uma óptica dióptrica.catadióptrica de Fresnel de 5ª ordem, com 187,5 mm de distância focal, instalada no alto de uma torre de 7 m, estando o plano focal a 35 m de altitude.

 

Localização: Forte de S. Teodósio, Sesimbra [38º 26' 4,3'' N; 09º 6' 59,8'' W]
Altura: 7 m
Altitude: 35 m
Luz: Oc Br 5s
Alcance: 14 M
Ano de construção: 1896
Ano de automatização: 1972

Farol do Outão

Localização: Forte do Outão, Setúbal [41º 14' 52'' N; 8º 40' 46'' W]

Altura: indisponível
Altitude: indisponível
Luz: Oc Vm 6s
Alcance: 12 M
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível




Farol da Azeda

Localização: Setúbal [??º ??' ??'' N; ?º ??' ??'' W]

Altura: indisponível
Altitude: indisponível
Luz: Iso Am 6s
Alcance: 22 M
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível



 
Farol do Cabo de Sines

Construído em 1880, é composto por dois edifícios anexos e uma torre cilíndrica. Estava munido de um aparelho óptico de 2ª ordem que possibilitava a visualização da luz, originada pela queima de gás de petróleo, a 25 M. Em 1915 este aparelho é substituído por um outro de 3ª ordem, passando o alcance para 30 M.

O edifício do farol era composto de três corpos, sendo os dois inferiores compostos, cada um, de um pavimento, e o superior constituído por uma torre cilíndrica, tendo no coroamento uma varanda de ferro, e na parte superior um corpo cilíndrico de menor diâmetro, sobre o qual assentava a lanterna.

Em 1950 passa a funcionar como farol aeromaritimo e, por alteração da fonte luminosa, vê o seu alcance reduzipo para 42 M. Em 1993 a sua torre é aumentada e o aparelho óptimo removido. Foi, depois em 1995, substituído por um outro de 4ª ordem com lâmpadas de 1.000 W, que lhe garantem um alcance de 26 M.

Localização: Cabo de Sines [37º57'.65 N; 8º52'.74 W]
Altura: 22 m
Altitude: 56 m
Luz: Rl (2) Br 15s
Alcance: 26 M [~48 km]
Ano de construção: 1880; a torre foi elevada em 1993.
Ano de automatização: 1995

Farol do Cabo Sardão

Proposto pela primeira vez em 1883, o Farol do Cabo Sardão entrou em funcionamento apenas a 15 de Abril de 1915.

Em 1950, o farol foi electrificado com montagem de grupos electrogéneos. A fonte luminosa deixou de ser a gás de petróleo mas uma lâmpada de 3000 watts.

Até aos anos cinquenta, o serviço de entrega e recepção de correio do farol era feito por uma estafeta, cujo vencimento era de 200$00 mensais, destinado a retribuir «16 viagens por mês, a pé, de mais de 20 quilómetros cada, e por péssimo caminho, parte dele quase intransitável no Inverno», viria pouco mais tarde a ser aumentada para 300$00.

O farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública em 1984. A potência da fonte luminosa foi reduzida, sendo instalada uma lâmpada de 1000 watts.

Localização: Cabo Sardão, Costa Vicentina [37º 35,8' N; 08º 48,9' W]
Altura: 17 m
Altitude: 68 m
Luz: Rl (3) Br 15s
Alcance: 23 M [~43 km]
Ano de entrada ao serviço: 1915; Em 1950 foi instalada uma nova lanterna; remodelado na sua totalidade em 1999.
Ano de automatização: 1984

Farol do Cabo S. Vicente


O farol do Cabo S. Vicente, o farol de D. Fernando, foi mandado erigir por D. Maria II, tendo entrado em funcionamento em Outubro de 1846. O farol, então, era iluminado a azeite e o carácter da luz era de dois clarões de 2 segundos a cada 2 minutos de período, sendo que o alcance luminoso rondava as 6 milhas náuticas.

O farol foi, depois, votado ao abandono por vários anos, atingindo um estado de quase ruína. De facto, a chuva entrava no farol, os vidros da lanterna estavam em grande parte partidos e a varanda exterior estava suspensa por arames e cordas.

Apenas em 1897, devido ao estado precário do farol e do pouco rendimento da sua luz, iniciaram-se os trabalhos de remodelação. Assim, a torre foi aumentada em 5.70 m e o aparelho óptico inicial foi substituído por um novo, mais avançado. As obras duraram 11 anos e em 1897 o farol começou a trabalhar com um novo aparelho, hiper-radiante. «Com efeito, foi instalado um aparelho lenticular de Fresnel de 1330mm de distância focal – o que lhe confere a categoria de hiper-radiante, actualmente a maior óptica que existe nos faróis portugueses e um dos dez maiores do mundo, consistindo em três painéis ópticos de 8 metros quadrados com 3,58m de altura, flutuando em 313 kg de mercúrio. A fonte luminosa instalada, era um candeeiro de nível constante de 5 torcidas, passando, anos mais tarde, a funcionar com a incandescência pelo vapor de petróleo. A rotação da óptica era conseguida através de um mecanismo de relojoaria.» O farol passou então a ter um período de 15 segundos e 5 relâmpagos. O alcance luminoso rondava as 33 milhas.   

Em 1914 foi instalado um sinal sonoro e em 1926 foram instalados motores-geradores para permitir a substituição da lanterna a vapor de petróleo por uma lâpada eléctrica. Dadas as exigências da Segunda Guerra Mundial, em 1947 foram-lhe instalados painéis deflectores, tornando-se, assim, num farol aeromarítimo e em 1948 foi ligado à rede pública de energia eléctrica. Um ano depois, foi instalado em rádio farol que funcionou até 2001. Em 1982 foi automatizado e tornou-se controlador do farol de Sagres.


Localização: Cabo S. Vicente, Sagres [37º01'.28 N; 8º59'.72 W]
Altura: 28 m
Altitude: 86 m
Luz: Rl Br 5s
Alcance: 32 M [~60 km]
Ano de entrada ao serviço: 1846
Ano de automatização: 1982

Farol da Ponta de Sagres

Localização: No interior da fortaleza de Sagres [37º 59' N; 8º 56' W]

Altura: indisponível
Altitude: indisponível
Luz: indisponível
Alcance: indisponível
Ano de construção: indisponível
Ano de automatização: indisponível




Farol da Ponta da Piedade

O Farol da Ponta da Piedade, em Lagos, foi erigido entre 1912 e 1913, entrando ao serviço neste último ano, com um aparelho óptico de 4ª ordem que emitia cinco relâmpagos agrupados a cada 10 segundos do alto de uma torre de cinco metros, a 51 metros de altitude. A fonte luminosa era um candeeiro de petróleo. Em Dezembro de 1923, a luz passa a ser de ocultações, com uma ocultação de 2,5 segundos a cada 69,5 segundos. 

Em 1952, o farol é electrificado com energia da rede pública, sendo substituído o candeeiro de petróleo uma lâmpada eléctrica, com um alcance original de 15 M, posteriormente aumentado para 18 M.

Quatro anos depois, é montado um novo aparelho de incandescência eléctrica. Foi automatizado em 1983.

Localização: Lagos [37º 04' 47'' N; 8º 40' 07'' W]
Altura: 5 m
Altitude: 51 m
Luz: Rl Br 7s
Alcance: 20 M
Ano de entrada ao serviço: 1913
Ano de automatização: 1983

Farol da Ponta do Altar

Localização: Portimão [37º 06' N; 8º 31' W]

Altura: 10 m
Altitude: 32 m
Luz: Rl Br 5s
Alcance: 16 M
Ano de construção: 1893
Ano de automatização: indisponível








Farol do Cabo de Santa Maria

O Farol do Cabo de Santa Maria data já de 1851. Está instalado no estremo SW da ilha da Culatra, na entrada dos portos de Faro e Olhão.

Este farol foi o primeiro em Portugal a receber um aparelho lenticular de Fresnel de 2ª ordem com 700 mm de distância focal, que permitia à luz, branca, um alcance de 15 M, instalado no alto de uma torre cilíndrica de 35 m.

Em 1922 a torre foi aumentada 12 m, passando a medir 46 m, ano em que o aparelho óptico inicial foi substituído por um de 3ª ordem, grande modelo, de rotação, iluminado a um candeeiro de petróleo. Três anos depois, este candeeiro viria a ser substituído pela incandescência do vapor de petróleo.

Em 1929, devido à acção dos elementos, diversas oscilações começaram a ser sentidas na torre, o que levou a abras de consolidação que passaram pela implementação de pilares ao longo de toda a altura do farol, no exterior da torre, e cintas de cimento armado. 

Em 1949, é electrificado com a instalação de grupos electrogéneos, substituindo-se a incandescência de vapor de petróleo por incandescência eléctrica. Foram também montados painéis adicionais ao aparelho lenticular, dando-lhe a característica de aeromarítimo e instalado um radiofarol.

Já em 1995, foi levada a cabo uma obra para a consolidação da torre de grande envergadura, que obrigou ao desmantelamento da lanterna e provisória instalação num andaime. Esta intervenção levou cerca de um ano e em 1997 o farol é automatizado.

Em 2001, o farol aeromaritimo é desinstalado por não mais ter interesse para a navegação.

Localização: Ilha da Culatra [36º 58' 28'' N; 7º 51' 52'' W]
Altura: 46 m
Altitude: 50 m
Luz: Rl (4) Br 17s
Alcance: 25 M
Ano de entrada ao serviço: 1851
Ano de automatização: 1997 

Farol de Vila Real de Santo António

O Farol de Vila Real de Santo António entrou em funcionamento em Janeiro de 1923, após largos anos de discussão quanto ao método de construção, visto estar localizado num local arenoso. A torre, circular, tinha 40 metros de altura e assentava sobre fundações de betão armado. A luz lá instalada, de relâmpagos, era obtida por incandescência de vapor de petróleo e tinha um alcance de 33 M. Ainda hoje está equipado com o aparelho óptico lenticular de Fresnel de 3ª ordem com 500mm de distância focal original.

Em 1927 é electrificado com motores geradores, e posteriormente, em 1947, ligado à rede pública de electricidade, ano em que a máquina de relojoaria que, até então, tinha assegurado o movimento do aparelho óptico foi também substituída por motores eléctricos e a lâmpada por uma outra de 3.000W. 

Em 1960, os dínamos foram substituídos por alternadores e foi instalado um elevador de acesso à torre.

Em 1983, a lâmpada é substituída por uma de 1.000W. Seis anos depois, o farol é automatizado, estando, portanto, desprovido de faroleiros nos dias de hoje.

Localização: Vila Real de S. António [37º 11' 12'' N; 7º 24' 57'' W]
Altura: 46 m
Altitude: 57 m
Luz: Rl Br 6,5s
Alcance: 26 M
Ano de entrada ao serviço: 1923
Ano de automatização: 1989

 


 

Fontes:
Actividade interactivas
Associação Aveirense de Vela de Cruzeiro
Berlengas, uma ilusão
Ciência Viva
Farolim.no.sapo.pt

Marinha Portuguesa
QSL.net


Este artigo tem como objectivo iluminar um pouco a história de alguns dos faróis portugueses, não abordando, pontualmente, alguns faróis insulares. O Transportes XXI agradece a colaboração de todos os intervenientes na elaboração deste artigo.

Pedro Baptista

Setembro de 2006
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