» Serviço Intercidades: 18 anos



Hoje em dia o produto Intercidades, gerido pela CP Longo Curso, é um comboio de serviço Rápido que liga a cidade de Lisboa a cerca de outras cinquenta vilas e cidades Portuguesas, nomeadamente do Sul e do Centro do Pais. A sua qualidade, conforto, rapidez e uma gama de preços acessível são virtudes há dezoito anos reconhecidas por quem viaja nestes comboios.

Tudo começou quando a concorrência com os serviços rodoviários expressos começava a ser cada vez mais forte e houve a percepção de que existia um segmento de mercado ao qual a CP não oferecia ligações, segmento este constituído por passageiros cujas necessidades de deslocação se situavam entre aquilo que os serviços “Alfa” e “Inter-Regional” eram capazes de oferecer. A solução passava pela criação de um comboio rápido mas ao mesmo tempo abrangente, ligando cidades capitais de distrito a outras de reconhecida dinâmica regional, e com níveis de conforto semelhantes ou iguais aos do serviço “Alfa”. É com estas premissas que em Maio de 1988, a CP apresenta aquele que viria a ser o seu produto mais voltado para a componente familiar e também, em menor escala, para deslocações do âmbito pessoal e profissional. Para esse serviço foi escolhido o nome Intercidades, sendo o seu nome genérico, “Rápido”.


Resenha Histórica

1988: Em Maio, a CP apresentava mais um novo comboio “Rápido” efectuado com material de conforto superior. Já em 1987, a empresa lançara o serviço “Alfa” entre Lisboa e o Porto, pelo que o lançamento do “Intercidades” veio consolidar uma atitude empresarial que visava dar novas e revolucionárias respostas às necessidades dos clientes.

Com o slogan inicial “Ir e voltar no mesmo dia”, transmitia-se a ideia de radialidade do serviço, com Lisboa ao centro, bem como da rapidez que se oferecia. As primeiras ligações a existir foram entre Lisboa e Braga, com passagem pela cidade do Porto, com dois comboios por sentido e com tempos de viagem que rondavam as cinco horas. Neste eixo foram colocadas carruagens “Corail”, as mesmas dos “Alfa”, contando com um amplo Bar, climatização, espaço para a manutenção do calor das refeições e assentos confortáveis, tudo com uma decoração inspirada nas homónimas carruagens dos caminhos-de-ferro Franceses. No seu exterior predominava a decoração em aço inoxidável, bem típico da realidade Portuguesa. Ainda em 1988, surgiram as ligações à Beira Alta (Lisboa-Guarda), Beira Baixa (Lisboa-Covilhã), Algarve (Barreiro-Faro/Vila Real de Santo António/Lagos), Oeste (Lisboa-Leiria) e Douro (Porto-Régua). Face à escassez de carruagens “Corail”, que eram empregues nos rápidos da linha do Norte, foram recondicionadas algumas carruagens Sorefame (dos anos de 1961 e 1972) com a aplicação de tons verdes e cinzentos no seu interior e laranja e verde no exterior, impondo uma diferença relativamente aos outros serviços operados por material Sorefame, nomeadamente pela ligeireza dos interiores aplicados. Estas carruagens foram colocadas nos eixos das Beiras e do Algarve. Para o Douro e para o Oeste, o serviço era prestado por automotoras triplas da série 0600.

1989: Com recurso a carruagens Sorefame recondicionadas, foi lançado o Intercidades para o Alentejo, ligando o Barreiro às cidades de Évora e Beja, sendo a composição comum aos dois comboios entre o Barreiro e Casa Branca onde eram deixadas as carruagens com destino a Évora. Na estação de Beja estava assegurada a ligação de e para Moura.

É criada a terceira frequência no eixo do Norte entre as cidades de Lisboa e Aveiro e ainda o Intercidades do Minho entre o Porto e Viana do Castelo, serviço prestado pelas automotoras da série 0600, contando com uma frequência diária e por sentido.

1991: Com a entrada em vigor do horário de Verão, o IC do Oeste passa a efectuar o percurso Lisboa-Figueira da Foz-Lisboa, com saída de Entrecampos (e posteriormente de Santa Apolónia) em vez da estação do Rossio, notando-se uma melhoria do seu material circulante, pela oferta de uma composição de máquina e carruagens recondicionadas: uma carruagem de 1ª Classe com Bar (Carel et Fouché do ano de 1954), renovada com interiores muito semelhantes aos dos das “Corail” e com a predominância de uma faixa vermelha no seu exterior, e duas a três carruagens de 2ª Classe Sorefame com faixa verde no exterior, iguais às que operavam nos eixos do Sul e das Beiras.

O serviço Lisboa-Aveiro-Lisboa é prolongado até ao Porto e é criada a quarta frequência no eixo do Norte. Este eixo passou a contar com dois comboios entre Lisboa e Braga e outros dois entre Lisboa e o Porto.

Foi neste ano que o slogan do IC passou a ser “Da sua cidade para tantas cidades”, o que salientava o conceito de rede, promovendo igualmente ligações transversais e viabilizando uma série de ligações integradas, em virtude da consolidação dos eixos operados, a saber: Norte, Douro, Beira Alta, Beira Baixa, Alentejo, Algarve e Oeste.

1992: O eixo do Minho sofre uma modificação de horários. O serviço, prestado na mesma por automotoras série 0600, deixa de servir a cidade do Porto e passa a sair de Nine, onde aguardava os passageiros do IC Lisboa-Braga da tarde, rumo a Viana do Castelo. À volta, saia de Viana do Castelo de manhã chegando a Nine um pouco antes do IC Braga-Lisboa.
 
1993: São recebidas as primeiras carruagens reabilitadas pela EMEF do Entroncamento, de um lote de quarenta e cinco, cuja base foram as carruagens Sorefame de 1967/8. Estas “novas” carruagens ofereciam um nível de conforto equiparado ao do das carruagens “Corail”, embora com algumas melhorias, como os assentos individuais. Foram equipadas, tal como as “Corail”, com um equipamento de climatização. Foi um investimento, que na moeda antiga, representou 5 milhões de contos.

1994: São suprimidos o IC do Minho, que já só cobria a ligação Nine-Viana do Castelo-Nine e o IC do Algarve entre Faro e Vila Real de Santo António, bem como as carruagens directas desde o Barreiro até Lagos.

     



1997: É inaugurada a electrificação total da linha da Beira Alta até à Guarda, dispensando a troca de locomotiva nas estações da Pampilhosa ou Mangualde. O serviço seria prestado por uma locomotiva eléctrica desde Lisboa até à Guarda.

1998: São comemorados os 10 anos do serviço Intercidades, composto agora por material capaz de oferecer um serviço de qualidade muito aceitável e com uma boa relação com o preço cobrado. A exploração a 160 km/h é posta em prática para os eixos que incorporassem material compatível de se deslocar a essa velocidade e desde que a via o permitisse.

Neste ano de comemoração, foram determinados os valores do ano de 1997, chegando à conclusão de que naquele ano foram transportados 1.933.129 passageiros, 47% dos quais no eixo Lisboa-Porto-Braga. Este eixo foi igualmente aquele que mais proveito deu, alcançando receitas no valor de 1.511.516 contos o que havia representado 52,88% do total de receitas deste serviço. Os eixos do Algarve e das Beiras apresentavam valores de ocupação muito semelhantes entre si, com uma pequena vantagem para o eixo da Beira Alta. No entanto, destes três, seria o IC do Algarve que conseguiria maior volume de receitas. Com baixo volume de passageiros e de receitas surgem os restantes IC’s. Cerca de 8% do total dos passageiros do IC foram transportados nos eixos do Oeste (57.318 passageiros), Alentejo (67.005 passageiros) e Douro (39.998 passageiros). Face a estes números, a CP efectua uma nova abordagem ao serviço IC e deste modo com vista à homogeneização das suas características de qualidade (climatização, material e serviços disponibilizados), os Intercidades dos eixos operados por material não climatizado (Oeste, Alentejo e Douro) passariam a Inter-Regional, mantendo os mesmos horários, o mesmo material circulante e as mesmas paragens, somente os preços desciam. Tratava-se, segundo a CP, de uma “medida de transparência perante o mercado e de uma opção comercial que lhe está associada, na defesa dos clientes e da imagem do produto Intercidades”. Em Maio de 1998, passados dez anos após o lançamento do primeiro Intercidades, os IC’s do Oeste, Douro e Alentejo passaram a Inter-Regional e de facto, exactamente com o mesmo material, paragens e tempo de percurso.

1999: Foi o ano da chegada dos primeiros comboios pendulares, série 4000, para o serviço Alfa cujas carruagens Corail passariam a integrar o parque do material Intercidades. Estas Corail disponibilizadas tiveram como destino o eixo da Beira Alta, onde operavam carruagens Sorefame Reabilitadas. Por último, houve uma maior disponibilização destas carruagens o que tornou possível a reactivação do IC do Alentejo, agora com carruagens climatizadas. Com três comboios diários e por sentido, permitiu a eliminação total do serviço Inter-Regional nesta linha.

2000: O eixo do Norte passou a contar com apenas dois Intercidades por sentido (os IC Lisboa-Braga-Lisboa), em vez dos habituais quatro por sentido. Os IC entretanto eliminados passaram a ser efectuados por material Pendular mantendo as mesmas paragens, horários e preços. Apesar de ser referido no horário como sendo “Alfa Pendular”, o facto é que estes comboios eram habitualmente referidos como “Intercidades Pendular”.

2001: O serviço Intercidades torna-se mais abrangente com os comboios Lisboa-Porto a efectuar paragem em mais algumas estações sendo igualmente criados mais dois comboios por sentido neste eixo. De igual forma o eixo da Beira Alta é contemplado com mais um comboio IC por sentido.

2002: Com a disponibilização de mais material climatizado é possível à CP relançar o serviço Intercidades no eixo do Douro (até Régua) e no eixo do Oeste (até Leiria), ambos de fim-de-semana e com início em Lisboa.

2003: Outro dos anos que marca positivamente a história dos IC’s com a disponibilização de um comboio directo Faro-Lisboa, saindo de Faro de manhã e voltando ao Algarve durante o final da tarde, através da viagem pela Ponte 25 de Abril.

Com a vontade de automotorizar o serviço Regional entre Lisboa e a Beira Alta, que contava com serviço de Auto-Expresso, a CP aluga aos caminhos-de-ferro Espanhóis, um vagão porta-automóveis capaz de circular a 160 km/h. Com ele é inaugurado um período experimental de serviço Auto-Expresso em dois dos Intercidades da Beira Alta, um por sentido. Com saída de Lisboa às Sextas pelas 11.55 e regresso aos Domingos com saída da Guarda às 18.00. A adesão a este serviço foi residual, pelo que a experiência pouco tempo durou e a CP continuou a assegurar o serviço de transporte de automóveis através do serviço Regional.

É ainda durante este ano de 2003 que surgem as primeiras carruagens “Corail” com uma nova imagem: faixa verde no seu exterior, reduzindo a área em cor cinzenta provocada pela aplicação de aço inoxidável.

2004: Outro ano positivo com o empurrão do Campeonato Europeu de Futebol realizado em Portugal. As obras da ligação directa Lisboa-Sul ficam concluídas e a CP dá início à exploração comercial de comboios IC para o Alentejo e para o Algarve desde a estação de Lisboa Oriente. Para o Algarve passaram a existir três diários e por sentido e para o Alentejo dois diários e por sentido. Guimarães fica conectada à rede do IC, em detrimento de Braga que ganha o serviço Alfa Pendular, e o IC do Douro passa a semi-diário e com origem/destino na estação de Porto São Bento.

2005: O IC do Oeste (já composto por material Sorefame convencional) é extinto. No eixo do Algarve, no Verão, é posto a circular mais um IC por sentido e os restantes IC passam a efectuar paragem em Setúbal.

2006: O IC do Douro é extinto na sequência da entrada em vigor de uma nova oferta de serviço Regional na linha do Douro. O Comboio Azul, que todos os fins-de-semana liga o Algarve ao Porto e volta, passa a ser efectuado com material do serviço Intercidades e com o trajecto alterado por Setúbal e Lisboa. Com a reabertura da linha de Évora, são introduzidos 3 comboios diários ligando Lisboa a Évora, mantendo as 2 relações já existentes com Beja.


Os horários

De facto, sendo orientado para um público específico, os horários do Intercidades estão feitos de modo a agradar o maior número de pessoas. São privilegiados os horários a meio da manhã, ao início da tarde e ao início da noite. Dirija-se ao site da CP ou ao ponto de venda da CP Longo Curso/CP Regional mais próximo para obter mais informação sobre os horários actuais.


Os bilhetes

A característica que mais se salienta no serviço IC é a reserva de lugar obrigatória. No início do serviço, todo o processo era efectuado de forma manual. Apenas em 1991 a informatização chega ao eixo Lisboa-Porto e gradualmente foi sendo estendida aos restantes eixos. Apenas o eixo do Algarve é que foi sofrendo mais atrasos, sendo que em 1998 a sua informatização de venda de bilhetes foi concluída.

Pela primeira vez na CP, o preço dos bilhetes passou a ser calculado em função do mercado e da concorrência e não em função dos quilómetros percorridos.

Apesar de ser obrigatória a reserva de lugar nos comboios Intercidades, há algumas excepções que devem ser tomadas em linha de conta. Se o passageiro embarcar numa estação onde não haja venda de bilhetes poderá dirigir-se ao Operador de Revisão e Venda e comprar-lhe o bilhete para a sua viagem. Neste caso, o passageiro não tem lugar sentado garantido. Outra situação é para o caso das assinaturas quilométricas do eixo do Alentejo que dispensam a obrigatoriedade da compra de uma reserva de lugar.


Os Serviços Disponibilizados

Ao longo dos tempos, o serviço IC foi vendo o número de serviços disponibilizados a aumentar: telemóvel para contacto com o exterior na carruagem Bar, serviço de refeições quentes, compra do bilhete pelo Multibanco e pela Internet, descontos no parqueamento e aluguer de viaturas, hotéis e teatros.


O Intercidades com 18 anos

Ao longo da sua existência, o Intercidades tem-se mostrado cada vez mais abrangente e cada vez mais procurado, sendo um serviço que globalmente colhe a simpatia de quem nele viaja. Sejam os preços, a rapidez, o conforto ou a multiplicidade de destinos e ligações que a CP – Comboios de Portugal – oferece neste produto, o certo é que goza de grande popularidade e notoriedade.

Chegando a 2006 temos diariamente trinta Intercidades (15 por sentido) circulando nas vias férreas Portuguesas, todos com origem e destino na cidade de Lisboa:

Eixo Alentejo – 5 por sentido
Eixo Algarve – 4 por sentido, um dos quais é o Comboio Azul Porto-Faro-Porto
Eixo Beira Alta – 3 por sentido
Eixo Beira Baixa – 2 por sentido
Eixo Norte – 5 por sentido, dos quais um efectua o serviço Guimarães-Lisboa-Guimarães e um efectua o Comboio Azul Porto-Faro-Porto
 
Neste momento, o parque de material é estável, contando com cento e três carruagens modernas, confortáveis e climatizadas e três tipos de locomotivas para as rebocar: Série 1930 (Alsthom/Sorefame, Diesel, do ano de 1981 e velocidade máxima de 120 km/h) nos eixos do Alentejo e Beira Baixa (só entre Castelo Branco e Covilhã), Série 2600/2620 (Alsthom/Sorefame, Eléctrica, dos anos de 1974 e 1989 e velocidade máxima de 160 km/h) com forte presença nos eixos das Beiras e também nos eixos do Norte e Algarve e Série 5600 (Siemens/Sorefame, Eléctrica, do ano de 1993 e velocidade máxima de 220 km/h) nos eixos no Norte (sempre com o comboio Guimarães-Lisboa-Guimarães), Beira Alta e Algarve.

De futuro, pretende-se aumentar a velocidade dos Intercidades do eixo do Norte até aos 190 km/h e dispor de tracção eléctrica integralmente no eixo da Beira Baixa assim que as obras na via estiverem concluídas.

Em jeito comparativo, é publicada uma tabela comparando as diferentes médias de velocidade entre a origem e o destino dos cinco eixos que hoje em dia são operados. Faz-se a relação entre a actualidade e o ano de 1997.



Eixo
Ano
Velocidade Média Comboio






Alentejo
2006
81,89 km/h
185,6 km em 2h16
IC 593 e 595
Lisboa Oriente 9:21 e 18:21
Beja 11:37 e 20:37








1997
80,30 km/h
153,9 km em 1h55
Todos






Algarve
2006
87,74 km/h
318,8 km em 3h38
IC 573 e 575
Lisboa Oriente 8:21 e 13:21
Faro 11:59 e 16:59








1997
81,40 km/h
278,1 km em 3h25
IC 581
Barreiro 14:05
Faro 17:30






Beira Alta

2006

94,06 km/h
387,2 km em 4h07
IC 510
Guarda 8:08
Lisboa Santa Apolónia 12:15








1997

78,75 km/h
387,2 km em 4h55
IC 510 e 512
Guarda 7:30 e 14:30
Lisboa Santa Apolónia 12:25 e 19:25






Beira Baixa

2006

75,03 km/h
300,1 km em 4h00
IC 542
Covilhã 15:35
Lisboa Santa Apolónia 19:35








1997

70,61 km/h
300,1 km em 4h15
IC 540 e 542
Covilhã 7:15 e 15:15
Lisboa Santa Apolónia 11:30 e 19:30






Norte

2006

93,80 km/h
336,1 km em 3h35
Todos








1997

98,37 km/h
336,1 km em 3h25
Todos




Por: Filipe Lavrador
Agradecimentos: Gabinete de História de Museologia da CP pelas facilidades concedidas na obtenção de informação e documentos, Eugénio Santos, Ricardo Taveira e Roberto Sousa
Última Actualização: 01 Dezembro 2006
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