» A frota da CP Longo Curso




Da UVIR à CP Longo Curso

Em 1999, a CP dividiu as suas actividades por unidades de negócio, em conformidade com a legislação europeia que preparava a liberalização do sector ferroviário e, numa primeira fase, dos serviços de transporte de mercadorias.

A CP dividiu-se então em cinco unidades de negócio: USGL - Unidade de Suburbanos da Grande Lisboa, USGP - Unidade de Suburbanos do Grande Porto, UVIR - Unidade de Viagens Interurbanas e Regionais, UTML - Unidade de Tracção de Mercadorias e Logística e UMAT - Unidade de Material e Tracção. Actualmente, todas receberam novas designações, respectivamente: CP Lisboa, CP Porto, CP Longo Curso e CP Regional (resultantes da divisão da UVIR), CP Carga e CP Frota.

Um dos efeitos da sectorização das actividades da CP, foi a divisão do material motor disponível, sendo afecto às várias unidades então criadas. Actualmente, todo o material circulante da CP pertence à CP Frota, que o aluga e afecta às diversas unidades de negócio, consoante as necessidades de cada uma delas. E são as unidades afectas à CP Longo Curso que aqui nos interessam.

Em 1999, a UVIR recebeu unidades das seguintes séries de material motor: 0100 - Nohab, 0300 - Allan, 0350 - Allan/EMEF, 0400 - Sorefame, 0450 - Sorefame/EMEF, 0600 - Sorefame, 1150 - Sentinel, 1200 - Brissoneau, 1400 - English Electric, 1500/20 - ALCo, 1930 - Alsthom, 2000 - Sorefame, 2100 - Sorefame, 2150 - Sorefame, 2200 - Sorefame, 2600/20 - Alsthom, 4000 - Fiat Ferroviaria e 5600 - Siemens/Krauss Maffei.

Era, portanto, um parque extenso e com várias actividades distintas. Por exemplo, as séries 1150 e 1200 estavam dedicadas apenas às manobras das composições, em estações como Campanhã, Entroncamento, Lisboa Santa Apolónia e Barreiro. As séries 0300 e 0400 estavam em vias de extinção, sendo transformadas em 0350 e 0450, respectivamente.

A grande diferença quando comparamos o parque da antiga UVIR com o parque da actual CP Longo Curso resulta da divisão que ocorreu na UVIR. Com efeito, todos os serviços regionais e interregionais saíram da alçada da CP Longo Curso, para a recém-criada CP Regional, e com eles várias séries de material motor. Hoje em dia, fruto desta divisão, de renovações e de adaptações no serviço prestado, as séries que figuram no inventário da CP Longo Curso são as seguintes: 1150 - Sentinel, 1400 - English Electric, 1930 - Alsthom, 2600/20 - Alsthom, 4000 - Fiat Ferroviaria e 5600 - Siemens/Krauss Maffei.


A contracção das manobras de composições

A especialização da CP Longo Curso nos serviços Intercidades, e a automotorização dos serviços Alfa (hoje em dia, Alfa Pendular), fez com que a CP pudesse contrair o dispendioso serviço de manobras de composições. A aposta em composições-bloco nos serviços Intercidades poupa muitas manobras, e hoje em dia apenas há locomotivas dedicadas a manobras em Lisboa Santa Apolónia, centro nevrálgico da rede Intercidades. Todas as restantes manobras, efectuadas nas cidades servidas pela rede, são efectuadas pelas locomotivas de linha titulares. A única excepção é o depósito de Contumil, no Porto, onde ainda é utilizado um locotractor pertencente à CP Longo Curso.

Apenas duas séries estão afectas às manobras, e com efectivos bastante reduzidos. Apenas três locotractores Sentinel estão afectos à CP Longo Curso: os 1162 e 1186 em Santa Apolónia, e o 1185 em Contumil. As locomotivas 1400, outrora numerosas na UVIR, estão reduzidas a um único exemplar. A ave rara é a locomotiva 1427, recentemente revista no Barreiro, e afecta a Lisboa Santa Apolónia, onde opera as manobras mais pesadas.

As manobras em Lisboa Santa Apolónia são bastante numerosas, e além dos Intercidades contemplam ainda a manobra dos comboios Internacionais Sud Expresso e Lusitânia Comboio Hotel.

NúmeroAnoDepósitoServiço
11621966
Santa ApolóniaManobras
11851966ContumilManobras
1186
1966
Santa Apolónia
Manobras
 14271967Santa ApolóniaManobras


Serviços Intercidades em Linhas não electrificadas

O país conheceu uma profunda renovação dos seus eixos ferroviários vitais, onde assenta a rede de serviços Intercidades. É normal, portanto, que os serviços Intercidades nessas linhas tenham evoluído significativamente, e tenham tirado partido das inúmeras electrificações promovidas nos anos mais recentes. Hoje em dia, sobra na CP Longo Curso apenas uma série de locomotivas de linha dedicadas à tracção de comboios Intercidades, e também ao Lusitânia Lisboa - Madrid. São as locomotivas 1930, construídas pela Sorefame e Alsthom, entradas em serviço em 1981.

A CP Longo Curso detém actualmente oito das dezassete unidades que compunham a série originalmente. A essas oito unidades estão reservadas sete jornadas diárias em rotação, sendo uma delas reserva no Entroncamento. A média quilométrica diária vai pouco além dos 300 quilómetros para cada uma das sete unidades programadas diariamente, pouco se compararmos com os cerca de 500 quilómetros que cada unidade do Entroncamento abatia no ano 2000, ou os 600 quilómetros do parque do Barreiro na mesma altura.

Actualmente, existe uma locomotiva em Castelo Branco dedicada a todos os comboios Intercidades do troço não electrificado Castelo Branco - Covilhã, num total de seis serviços por dia (430 quilómetros), que troca semanalmente com outra locomotiva do Entroncamento. Duas locomotivas estão dedicadas à tracção do Lusitânia Lisboa - Madrid, na sua etapa Entroncamento - Valência de Alcântara (Espanha), estando uma dessas duas de reserva no Entroncamento. Convém referir que, apesar da reserva ser no Entroncamento, o parque das 1930 está actualmente afecto a Lisboa Santa Apolónia.

Para os Intercidades do Alentejo, os grandes clientes da actualidade das locomotivas 1930, estão previstas 4 locomotivas todos os dias, sendo que uma delas apenas faz o serviço Lisboa - Évora do fim do dia. Exceptuando essa unidade, as outras três fazem sempre três serviços Intercidades por dia, entre os eixos de Évora e Beja. A rotação que as leva a fazer mais quilómetros por dia é a que leva a locomotiva a sair de Évora de manhã cedo, e traccionar o comboio nº 598 até Lisboa. Daí parte com o IC Lisboa - Beja da manhã, de onde só volta à tarde com o IC Beja - Lisboa. No total, são 524 quilómetros previstos.

Depois da extensão dos serviços IC no Alentejo, pode-se dizer que o parque das 1930 da CP Longo Curso está perfeitamente estável, e assim deverá continuar. A electrificação do troço Castelo Branco - Covilhã continua adiado, e os moldes de exploração do Lusitânia e dos IC Lisboa - Beja e Lisboa - Évora não se devem alterar muito nos próximos anos.

Convém referir que a troca das locomotivas entre Lisboa e o Entroncamento, sua base de manutenção, é muitas vezes assegurada no comboio Lusitânia Lisboa - Madrid, encabeçando-o muitas vezes a partir de Lisboa, e não só a partir do Entroncamento.

Cada locomotiva da CP Longo Curso abate, em média, cerca de 9.000 quilómetros mensais, consumindo pouco menos de 2,75 litros de gasóleo por quilómetro, uma óptima performance quando pensamos na potência nominal da locomotiva (2200cv) e na produção de energia que a locomotiva tem de fazer para abastecer as carruagens. A indisponibilidade média não atinge os 15%.

NúmeroAno
DepósitoServiço
19321981
Santa ApolóniaT-120
1935
1981Santa ApolóniaT-120
1940
1981Santa ApolóniaT-120
1942
1981Santa ApolóniaT-120
1943
1981Santa ApolóniaT-120
1944
1981Santa ApolóniaT-120
1945
1981Santa ApolóniaT-120
1947
1981Santa ApolóniaT-120

As locomotivas eléctricas

Pedra basilar da CP Longo Curso, as locomotivas eléctricas de que dispõe são, a par dos comboios pendulares, a sua imagem de marca. O seu raio de acção multiplicou-se nos últimos anos. Depois da conquista da linha da Beira Alta em 1998, o ramal de Braga em 2004, linha do Sul em 2004, linha de Guimarães em 2004 e Linha da Beira Baixa em 2005, as locomotivas eléctricas gozam hoje em dia um estatuto totalmente diferente daquele que tinham há 10 anos atrás, quando eram vistas, grosso modo, como as locomotivas da Linha do Norte.

A CP Longo Curso tem ao seu dispor duas séries distintas, a saber: 2600/20 e 5600. As primeiras são a imagem de marca do serviço Intercidades, só agora e gradualmente tomada de assalto pelas locomotivas 5600, por força do destaque da linha Lisboa - Porto, onde operam em exclusividade. As 2600, que podem ser divididas em 2600 e 2620, estão em queda nos efectivos da CP Longo Curso, por força da sua gradual afectação à CP Carga, onde já operam inúmeros serviços de mercadorias. De 21 locomotivas disponíveis no início de 2006, passou-se para uma situação de 13 disponíveis, havendo no mínimo mais duas unidades a ceder futuramente à CP Carga.

As locomotivas 2600 estão afectas a uma rotação de nove unidades diárias, três das quais em reserva em Lisboa, Guarda e Porto. Essas nove rotações levam-nas a percorrer cerca de 600 quilómetros diários, havendo a registar um percurso máximo de 1003 quilómetros num dia. Esse percurso é efectuado pela locomotiva que começa o dia a efectuar o comboio nº 540 Covilhã - Lisboa, e depois efectua os comboios 513 Lisboa - Guarda e 514 Guarda - Lisboa.

Na sua folha de serviços contam-se, actualmente, todos os Intercidades da Beira Baixa e Beira Alta, e ainda os comboios Sud Expresso Lisboa - Vilar Formoso e Lusitânia Lisboa - Entroncamento. Pontualmente são vistas à cabeça dos comboios Intercidades Lisboa - Faro, embora tal não esteja previsto por sistema. A sua afectação é ao depósito de Lisboa Santa Apolónia, mas fazem toda a sua manutenção no Entroncamento, razão pela qual, duas vezes por semana (e sem contar com o Lusitânia Comboio Hotel), existem marchas em vazio entre Lisboa e o Entroncamento, com o objectivo de rodar as locomotivas entre o seu depósito e a sua oficina. Essas marchas efectuam-se às terças e quintas.

O parque das 2600 continuará em mutação. Toda a primeira série foi renovada em 2004-2005, com adição de ar condicionado nas cabines de condução e nova mesa de comandos, renovação progressivamente aplicada à segunda série. Além disso, decorre a instalação do comando de unidade múltipla nas locomotivas de primeira série, sendo elas afectas progressivamente à CP Carga. A prazo, é de prever que o efectivo das 2600 no parque da CP Longo Curso seja limitado a 8-9 locomotivas.

Cada locomotiva da série abate em média cerca de 11.000 quilómetros mensais, registando um consumo de cerca de 12 kWh por cada quilómetro percorrido. A indisponibilidade da série, atingida por diversas operações de renovação e transformação, atinge por vezes os 30%.

Já as 5600, estão em alta na unidade de viagens de longo curso da CP. O seu efectivo subiu de 5 unidades em 2004, para 9 em 2007, e com tendência a aumentar. Passados 14 anos sobre a data de construção das primeiras unidades, iniciaram os seus primeiros serviços comerciais a 200 km/h no dia 22 de Abril de 2007, nos serviços Intercidades Lisboa - Porto, agora afectos exclusivamente às locomotivas 5600, rompendo pela primeira vez em mais de 30 anos a carreira das locomotivas 2600 nos serviços de passageiros deste eixo. As locomotivas são intensivamente utilizadas em oito rotações diárias, que as levam a completar diariamente mais de 900 quilómetros por locomotiva.

Um máximo de 1351 quilómetros num dia é registado na rotação que as leva a cumprir os seguintes comboios Intercidades: 520 Porto - Lisboa, 525 Lisboa - Porto, 528 Porto - Lisboa e 531 Lisboa - Porto. Além dos serviços Intercidades que ligam as duas cidades mais importantes do país, vão uma vez por dia a Guimarães no prolongamento de um destes serviços, e cobrem todos os Intercidades do eixo Lisboa - Faro. Depois de anos a fio a receberem a manutenção diária no Entroncamento, agora são as oficinas de Lisboa Santa Apolónia que se encarregam disso, estando as locomotivas afectas também ao depósito de Lisboa.

Depois de ser recuperada a locomotiva 5610 à CP Carga em 2006, e das locomotivas 5606, 5607 e 5608 em Abril de 2007, estará na calha a recuperação de pelo menos mais duas unidades, previsivelmente as locomotivas 5609 e 5611.

A produtividade destas locomotivas está em alta, e atinge quase os 25.000 quilómetros mensais, por locomotiva. Consomem no total 11 kWh por cada quilómetro percorrido, e apresentam uma indisponibilidade média de 20%.


Número
Ano
Depósito
Serviço
2603
1974
Santa Apolónia
T-160
26041974
Santa ApolóniaT-160
2606
1974
Santa ApolóniaT-160
2608
1974
Santa ApolóniaT-160
2609
1974
Santa ApolóniaT-160
2621
1987
Santa ApolóniaT-160
2622
1987
Santa ApolóniaT-160
2624
1987
Santa ApolóniaT-160
2625
1987
Santa ApolóniaT-160
2626
1987
Santa ApolóniaT-160
2627
1987
Santa ApolóniaT-160
2628
1987
Santa ApolóniaT-160
2629
1987
Santa ApolóniaT-160
5601
1993Santa ApolóniaT-200
5602
1993
Santa ApolóniaT-200
5603
1993
Santa ApolóniaT-200
5604
1993
Santa ApolóniaT-200
5605
1993
Santa ApolóniaT-200
5606
1993
Santa ApolóniaT-200
5607
1993
Santa ApolóniaT-200
56081993
Santa ApolóniaT-200
5610
1993
Santa ApolóniaT-200


Os comboios Pendulares - Ex-líbris da CP Longo Curso

Nenhuma análise à CP Longo Curso fica completa sem se atentar no sucesso meteórico dos comboios pendulares em Portugal, todos eles afectos a esta unidade de negócios. Os primeiros exemplares chegaram a Portugal em 1998 para testes, e iniciaram o serviço comercial a sério em 1999, com atraso sobre a data inicialmente prevista. Os últimos exemplares, muito atrasados pela Fiat Ferroviaria e já entregues sob a égide da Alstom, só chegaram a Portugal em 2001. O sucesso destes comboios, que operam os serviços Alfa Pendular, tem aumentado ao longo dos anos, à medida que os comboios de longo curso se abrem a mais segmentos de mercado e os tempos de viagem entre Lisboa e o Porto são reduzidos.

Hoje em dia, vão quatro vezes por dia a Braga e duas a Faro, além dos muitos serviços Lisboa - Porto, que operam a 220 km/h de velocidade comercial, e a médias horárias que ultrapassam timidamente os 120 km/h. A frota de dez comboios está temporariamente privada do 4004, acidentando numa passagem de nível na zona de Coimbra, e em reparação no Entroncamento. O serviço pode ser descrito como infernal, pois são 8 rotações diárias para 9 comboios, sem contar com desdobramentos pontuais realizados ao fim de semana.

Cada comboio percorre cerca de 1.100 quilómetros por dia, registando-se um máximo de 1300 quilómetros para o comboio que está encarregue de assegurar os serviços: 182 Faro - Porto, 126 Porto - Lisboa e 129 Lisboa - Porto. Apenas uma rotação diária não ultrapassa os 1000 quilómetros, aquela que leva o comboio de Lisboa ao Porto no Alfa Pendular número 123, seguido de viagem até Faro no Alfa Pendular número 186.

A ligação Lisboa - Porto é agora cumprida em 2h35 (gare lisboeta de referência: Oriente), e não são de esperar abrandamentos no serviço prestado por estes comboios. A compra de mais comboios pendulares, tão falada de modo a poder intensificar os serviços Alfa Pendular no território nacional é, para já, apenas um rumor sem confirmação oficial.

Para a estatística fica a informação de que cada comboio Pendular percorre em média cerca de 26.000 quilómetros mensais, consumindo cerca de 12 kWh por quilómetro percorrido, e apresentando a frota uma indisponibilidade média de 10%.

Número
Ano
Depósito
Serviço
4001
1998
Santa Apolónia
T-220
4002
1998
Santa ApolóniaT-220
4003
1998
Santa ApolóniaT-220
4004
1998
Santa ApolóniaT-220
4005
1998
Santa ApolóniaT-220
4006
1999
Santa ApolóniaT-220
4007
1999
Santa ApolóniaT-220
4008
1999
Santa ApolóniaT-220
4009
2001
Santa ApolóniaT-220
4010
2001
Santa ApolóniaT-220


E as carruagens?

A CP Longo Curso opera com carruagens em todos os serviços Intercidades da rede nacional, e ainda no comboio Sud Expresso Lisboa - Hendaye.

No capítulo das carruagens com climatização, possui três carruagens de 1ª classe Sorefame, dez carruagens de 1ª classe Corail, 31 carruagens de 2ª classe Sorefame, 37 carruagens de 2ª classe Corail, quatro carruagens-cama UHansa, 10 carruagens 1ª classe/bar Corail, 11 carruagens 1ª classe/bar Sorefame e uma carruagem Corail VIP. Além destas, e para uso internacional, possui quatro carruagens-restaurante Sorefame e nove carruagens de 2ª classe Sorefame.

Ao todo, são 120 carruagens usadas nos serviços operados pela CP Longo Curso.

Por: João Cunha
Última Actualização: 24/05/2007

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As margens do Tejo estão ligadas por comboio desde Julho de 1999? A Fertagus, do grupo Barraqueiro venceu o concurso para exploração da ligação entre as duas margens.

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