» Locomotivas Eléctricas de Via Larga da Série 4700




Introdução


A CP entrou no ano 2006 com sérios problemas operacionais no sector das mercadorias. O crescimento da CP Cargas nos últimos anos permitiu um incremento no número de comboios operados. No entanto, constata-se que o parque de tracção disponível não só não aumentou, como tem vindo a diminuir, fruto dos abates sucessivos de séries de locomotivas diesel, e do abate lento da série 2500.

Além disto, a rede nacional conheceu nos últimos anos um ritmo de electrificações sem precedentes. Desde a chegada das mais recentes locomotivas eléctricas, as 5600, a rede nacional viu serem electrificadas a linha da Beira Alta, o ramal de Braga, linha de Guimarães e de Leixões, Beira Baixa, Sul e linha de Vendas Novas. Este crescimento da rede electrificada, que possibilita a substituição da tracção diesel pela eléctrica, aconselha o aumento do parque eléctrico disponível, para assim tirar vantagens objectivas das electrificações realizadas.

Foi com estas premissas que a CP, após anos de especulação, encomendou no passado dia 10 de Janeiro de 2006 quinze locomotivas eléctricas, ao construtor alemão Siemens, um dos principais fabricantes de locomotivas eléctricas a nível mundial.

A primeira locomotiva deverá ser entregue até ao final de Julho de 2008, estando a entrega completa no final de Fevereiro de 2009.

O Transportes XXI orgulha-se de vos apresentar, em primeira mão, as novas locomotivas eléctricas da série 4700, cujos primeiros exemplares deverão, se tudo correr como previsto, rodar em Portugal em 2008.



Características Técnicas


Peso e Dimensões:

Peso: 87 toneladas (21,75 toneladas por eixo)
Comprimento: 19,580 m
Largura: 2,989 m
Altura: 4,210 m
Bitola: 1668 mm (possível mudar para 1435 mm mediante troca de rodados em oficina)


Performances:

Velocidade Máxima: 140 km/h
Potência nominal: 4684 kW (6373 cv)
Esforço de tracção no arranque: 300 kN
Esforço de tracção a 140 km/h: 105 kN


Capacidades:

Tensão de Alimentação: 25 kV/50 Hz, adaptável para bitensão, com acréscimo dos 3000 V contínuos
Unidades Múltiplas: Comando até 3 unidades, estando nesse caso o esforço de tracção limitado a 600 kN, por razões estruturais.
Ruído exterior: 91 dB a 140 km/h, 74 dB a 0 km/h
Temperatura de Funcionamento: operável na gama de temperaturas -25 ºC a 45 ºC


Freios:

- Freio dinâmico com Recuperação de Energia
- Freio pneumático directo e automático, com duas condutas e freio EP
- Freio de estacionamento
Inclui um sistema de anti-patinhagem para o freio pneumático.


Equipamento Eléctrico:

Motores de Tracção: 4 motores assíncronos, suspensos pelo nariz e arrefecidos por ventilação forçada, de 1171 kW cada um. RPM máximo de 3957, tendo um peso, com engrenagem incluída de 3840 kg
Relação de Transmissão: 1 : 6,29

Unidade Central de Comando: 2 UCC / Sibas 32 de 32 bits
Unidade de Comando da Tracção: 2 UCT / Sibas 32 de 32 bits, controlando os eixos motores por bogie e com sistema de anti-patinhagem incluído
Unidade de Comando de Freio: Knorr

Disjuntor: 1 Disjuntor de Vácuo
Pantógrafos: 2 Schunk ou Siemens
Transformador: Siemens, de 6,32 MVA de potência do enrolamento primário

Conversor de Tracção: 2 por locomotiva
- PMCF: 2 por conversor, tensão de entrada de 1000 V. Cada um dos PMCF tem 2 módulos de 4 IGBT's de 2200 V, 2000 A e frequência máxima de comutação de 1000 Hz.
- Ondulador: 1 por conversor, com 3 módulos de 4 IGBT's de 2200 V, 2000 A e frequência máxima de comutação de 1000 Hz.
- Arrefecimento: Através de circulação forçada de água


Funcionalidades:

Linha do Comboio (alimentação de carruagens): 1500 V / 50 Hz, potência de 800 kVA
Sistema Convel: EBICAB 700
Rádio Solo: NEC RC 450
Train-Office: Efacec
Inclui Ar Condicionado nas cabinas de condução.
Areeiros: 8

De seguida, apresenta-se um gráfico que relaciona o esforço de tracção (a vermelho) e de frenagem dinâmica (a azul) desenvolvida pelas locomotivas, em função da sua velocidade.





Utilização Futura


As novas locomotivas, do alto dos seus mais de 6000 cavalos, terão a seu cargo os comboios de mercadorias que circulam na rede ferroviária electrificada a 25 kV / 50 Hz em território nacional. Apesar de não estarem equipadas de origem, as novas locomotivas poderão, após adaptação, estar aptas a circular na rede electrificada a 3000 V espanhola, com as necessárias adaptações também a nível de sistemas de sinalização.



Mais concretamente, estas novas locomotivas serão concentradas nos mais pesados comboios de mercadorias da rede nacional. Está previsto que sejam usadas nos comboios de carvão que ligam Sines à central Termoeléctrica do Pego, não sendo ainda possível saber se finalmente acabarão com a tracção múltipla que hoje em dia se verifica nestes comboios. Sairão de fábrica preparadas para este serviço específico.

Prevê-se também uma afectação mais específica aos comboios que atravessam a Beira Alta e Beira Baixa, sendo ou não internacionais. A sua previsível capacidade de rebocar maiores tonelagens nas rampas e curvas destas duas linhas face ao material existente na actualidade, proporcionar-lhes-á uma carreira dura, à frente de comboios internacionais de mercadorias, e mesmo alguns serviços nacionais. Caso venham a ser autorizadas a circular em Espanha, após a electrificação da linha na parte espanhola até Vilar Formoso, serão também elas as dedicadas a este serviço.

A afectação das 4700 à rota dos Granéis, focalizada em Sines, e aos comboios de mercadorias internacionais da Beira Alta e Beira Baixa (quando electrificada), proporcionarão um uso das locomotivas 5600 em comboios até aqui operados pelas 2500 e 2550, possibilitando o afastamento, pelo menos parcial, destas séries. A previsível crescente afectação de locomotivas 5600 a serviços de passageiros poderá ainda libertar as 2600 para complementarem o parque da CP Cargas, então preparado para o crescente tráfego de mercadorias em linhas electrificadas.

É de prever que estas locomotivas venham no futuro a rolar nas linhas em bitola europeia, graças à fácil adaptação da sua bitola de 1668 para 1435 mm, e graças à pré-instalação do ERTMS, sistema europeu de sinalização e controlo de circulações, que certamente configurará a base dos sistemas de sinalização das novas linhas a construir em Portugal.



Visão do que poderá ser a decoração das novas locomotivas, por Simon Wijnakker, webmaster do excelente RailColor.net






Por: João Cunha
Última Actualização: 05 de Junho de 2006

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