» Low-Cost - O Fenómeno





Low-cost é uma palavra cada vez mais frequente entre quem viaja regularmente pelo Mundo ou por quem simplesmente se interessa pelos transportes ou pela indústria aeronaútica. Contudo, alguns desconhecem o verdadeiro mundo que envolve esta expressão.

Tratam-se de companhias aéreas com voos regulares e frequentes, cujas principais características são o facto de terem nomes apelativos e facilmente memorizáveis pelo público, com uma estrutura tarifária de gestão simples, baseada sobretudo na aquisição on-line de bilhetes.
As refeições servidas a bordo não estão incluídas nas tarifas da grande maioria das companhias, possibilitando assim um custo menor no preço do bilhete. Em regra geral, são viagens sem reserva fixa de lugar no avião.
Operam essencialmente para aeroportos secundários, pois as taxas aeroportuárias são menores e estão menos sujeitos à saturação.
As rotas são fixas e directas, sendo o principal objectivo ligar dois pontos com o menor tempo possível em Terra.

Operam frotas homogéneas de aviões para minimizar os custos com tripulação e manutenção em rotas curtas com intenso uso diário comercial.
Têm tempos de rotação em terra baixos (até 20 minutos) pois é mais económico ter sempre aviões sempre no ar, porque um slot num aeroporto pode ter custos exorbitantes, o que faz com que as low-cost tenham segmentos de voos distintos, ou seja, uniformizam o produto para cada voo de forma a diminuir os prejuízos.
Os lugares nos aviões destas companhias têm um pitch (distância) entre as cadeiras minimo de segurança, o que torna os voos mais longos, um pouco mais cansativos. Isto deve-se ao facto destas companhias só utilizarem uma classe (económica light, se assim se pode chamar)e de explorarem ao máximo todos os possiveis locais onde possam "caber" mais passageiros (dentro da cabine, de acordo com as normas de segurança).



Onde nasceu o conceito

A Southwest Airlines nasceu em 1966 e foi a primeira companhia a operar este segmento de mercado, denomiado por low-cost. Nasceu pela mão de um homem de negócios, de nome Rollin King. Começou por operar serviços para pequenas cidades, como Laredo e Eagle Pass.
Como a companhia tinha prejuízos, Rollin contactou um amigo com o intuito de montar uma low-cost para ligar as três principais cidades do Texas: Dallas, San Antonio e Houston.
Assim se dá a todo este acontecimento de aparecimento de low-cost, o “efeito Southwest”, pois foi o dono desta companhia que teve a brilhante visão de criar uma companhia aérea do “povo”.
As companhias aéreas de Low Cost, são hoje uma realidade incontornável na Europa, estimando-se que, em 2010, atinjam uma quota de 24% do mercado do transporte aéreo.
Com as margens de lucro esmagadas, estas companhias ficam impedidas de voar para fora dos continentes de origem, sob pena de perderem toda a sua rentabilidade.
Devido à crise económica que afecta a aviação comercial em todo o mundo desde 2001, o segmento das Low Cost tem conhecido consideráveis índices de crescimento, graças ao factor preço. No entanto, e como não há bela sem senão, só conseguem apresentar as melhores tarifas quando as reservas são feitas com a devida antecedência. A regra, hoje já copiada pelas companhias tradicionais, diz que, quando a reserva é feita perto da data do voo, a tarifa aumenta drasticamente. De tal forma que os preços chegam a aproximar-se dos praticados pelas concorrentes tradicionais.



Qual o segredo do sucesso e dos preços tão baixos?

Uma estrutura de custos reduzida:

– a bordo quase tudo é extra, e pago pelo consumidor, incluindo as refeições;
– voos preferencialmente com destino a aeroportos secundários e em horários pouco lotados;
-  têm pequenas estruturas operacionais e a maioria das vendas de bilhetes feita via Internet, reduzindo os custos de distribuição e emissão de bilhetes.



Evolução das low-costs até aos dias de hoje

As companhias aéreas low-cost não param de surpreender, tornando-se mesmo um fenómeno para os utilizadores.
No ano passado as companhias aéreas de baixo custo foram responsáveis por um quarto dos passageiros transportados em toda a Europa.
Em termos de comparação, à cinco anos atrás absorviam apenas 5% deste mercado.

As três companhias que na altura existiam eram: a Ryanair, Easy Jet e a Virgin Express; hoje em dia e só na Europa existem cerca de 50, não estando ainda esgotado o seu potencial de crescimento.
Pelas contas da Official Airlines Guide (OAG), dentro de um ano e meio haverá mais 160 companhias de baixo custo a operar em todo o mundo, sendo a Europa, Médio Oriente e África as regiões que apresentam o crescimento mais rápido.
O mercado das low-cost é já dominado em 42% (segundo OAG) por apenas duas companhias, Easy Jet e a Ryanair, com uma quota de 21% cada, seguidas pela Air Berlin, com 8%. E por muito que este mercado cresça, não vai chegar para todas.
Segundo a IATA prevê-se que o número de passageiros na Europa passe dos 480 milhões (2004), para 610 milhões, (2010), dos quais 180 milhões (33%) irão optar por Companhias de Baixo Custo, contra os 120 milhões (25%) do ano passado.

Mas as duas líderes do mercado também têm planos claros de expansão.
A Easy Jet espera passar da actual frota de 97 aviões para 151 até 2008, quando deverá transportar 45 milhões de passageiros (quase o dobro do que transportou em 2005). A Ryanair não quererá ficar atrás, mesmo porque o percurso das duas companhias tem sido, até aqui, muito idêntico.
De acordo com a politica de "low cost, low fare” (baixo custo, baixa tarifa) os preços por bilhete em média de 60 euros, manter-se-ão, mesmo com a escalada do preço dos combustíveis. Segundo a grande maioria das companhias aéreas de baixo custo não haverá um aumento dos custos aos passageiros sob a forma de taxa. A solução será sempre a inovação e a manutenção de aeronaves sempre novas, para que o prejuízo seja mínimo e a satisfação/lucro seja máximo.



Low-cost Portuguesas

Na minha opinião a existência de uma low-cost nacional não seria viável, pois Portugal é um país pequeno e muito "centralizado", ou seja os pontos de interesse são em sitios com maior fluxo, veja-se o caso de Lisboa e Funchal, em que todos nós sabemos que as taxas aeroportuàrias destes dois aeroportos são as mais elevadas em Portugal, o que deixaria OPO e FAO num lugar menos importante, isto porque é certo e sabido que a maioria das low cost Europeias voam para FAO por este cobrar valores de taxas aeroportuárias relativamente baixos. Portugal não tem mercado para uma low-ost de bandeira nacional.


Low Cost para os PALOP

A criação de uma companhia aérea ‘low-cost’ entre Portugal e os Paises Africanos de Lingua Oficial Portuguesa, cuja viabilidade chegou a ser ponderada, está praticamente posta de lado, pois é considerada impraticável e mesmo utópica. A mera sugestão da sua possibilidade foi refutada pelo representante da Embaixada de Angola em Portugal, Filomeno Ceita, assim como pelo ministro de Hotelaria e Turismo Angolano.
O presidente da fundação, António Vilar, diz que a ideia foi considerada de “difícil concretização” por Filomeno Ceita, dada a previsível relutância da TAP e da TAAG em abrir mão da exclusividade nas viagens entre Angola e Portugal.
Para além disso há pressões de vários ‘lobbies’ portugueses e angolanos a dificultarem a criação de uma companhia de tal envergadura. A não esquecer que várias companhias já o tentaram no passado mas sem qualquer tipo de sucesso.
Manuel Vilar refere que cerca de 80% dos angolanos que voam para terras lusas se dirigem ao Norte, não se justificando por isso a necessidade de fazer escala em na Capital Portuguesa.



Low-cost a operarem em Portugal

Existe desde algum tempo companhias low-cost a operarem para Portugal de forma a manter o nosso país conectado com o resto da Europa.
O maior contributo para o aumento do tráfego regular internacional no Aeroporto de Lisboa veio do início da operação de novas companhias low cost, designadamente da easyJet, da Vueling e da Monarch, que elevaram a participação deste segmento no tráfego regular internacional.
Em conjunto, as nove companhias low cost incluídas entre as 30 principais companhias a operarem de e para Lisboa em número de passageiros totalizaram 116.159 passageiros (até Maio de 2006)



Companhias que operam em Portugal:


- EasyJet
- Transavia
- Ryanair
- Sterling / Maersk
- Aer Lingus
- Thomson Fly
- Hapag Lloyd
- BMI Baby
- Condor
- Niki
- Fly be
- Air Berlin
- Monarch Scheduled
- Excel Airways
- Jet Air
- Norwegian
- Jet2
- Budget Air
- GlobeSpan
- Virgin Espress
- First Choice
- Germanwings
- Air Finland
- Centralwings
- Hapag Lloyd Express
- Vueling
- LTU

 






O futuro das low cost

As opiniões divergem muito nesta temática, pois ninguém sabe o “dia de amanha”.
Porém ha quem se atreva a dizer que no mercado das low-cost desde que consiga manter baixos custos de manutenção com frotas sempre modernas e com aviões sempre a voar é que se terá sucesso. E assim estas companhias culminaram com sucesso na aviação comercial.
Por outro lado os mais sépticos afirmam que as low-cost caminham para a extinção total ou parcial. Pois 50 das companhias de baixo custo actualmente existentes na Europa, apenas duas, a Ryanair e a Easy Jet (ambas Britânicas), dão lucro, "as restantes são todas deficitárias” segundo a gestora de mercado da EasyJet para Portugal e Espanha (Cristina Bernabé), que na sua opinião, só as que têm um bom respaldo financeiro irão conseguir manter-se e, à semelhança das companhias aéreas tradicionais, todas as outras estão condenadas a passar por um processo de fusões ou, simplesmente, desaparecer.
Citando ainda a gestora de mercado da Easy Jet, “No final só restarão três a cinco companhias de baixo custo verdadeiramente importantes em toda a Europa, embora possam existir outras, mas de pequena dimensão e para operar em nichos de mercado específicos".



Por João Alcântara
Fotos de João Alcântara, Pedro Becken, Ricardo Figueiredo e Luis Gonçalves
Fotografia do banner de Luis Rosa



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