» Desfile de Carros Eléctricos do Porto 2006



Como habitual desde 1994, a STCP, e em particular o seu Museu do Carro Eléctrico, promoveu no primeiro sábado do mês de Maio um desfile de carros eléctricos pertencentes a Museu. Neste dia 6 de Maio, algumas velhas glórias da cidade do Porto ganharam novamente vida, e desentorpeceram os seus rodados pela linha da Marginal, entre Massarelos e o Campo Alegre.

O passeio de 2006 ficará, infelizmente, marcado pela mudança de percurso, devido à obstrução do percurso Massarelos - Infante na zona da Alfândega. A polícia, ocupada por jogos de futebol e pela Queima das Fitas a decorrer na cidade, não conseguiu desobstruir a via em tempo útil, pelo que o desfile decorreu apenas até ao Passeio Alegre. Estranha-se, no entanto, a não circulação de eléctricos durante a manhã, como é normal nas linhas 1, 1/ e 18, que certamente teria promovido a desocupação do canal do eléctrico bem mais cedo, quiçá a tempo do desfile se realizar em condições normais.

Interior do Museu do Carro EléctricoTinham sido colocados 200 bilhetes à venda para esta iniciativa, pelo preço de 3,50€, tendo esgotado quase todos. O bilhete dava entrada no Museu do Carro Eléctrico, e direito a andar nos eléctricos de Museu que desfilavam lá fora.

Coube ao carro nº 163 iniciar o desfile. Construído pela CCFP (Companhia de Carris de Ferro do Porto, hoje em dia STCP) em 1927, este carro eléctrico circulou até 1981, sendo integralmente restaurado em 1994. Apesar de terem sido construídos em território nacional, estes veículos ficaram conhecidos como italianos, uma vez que o equipamento eléctrico de tracção veio de Itália.



Seguia-o o carro nº 104, adquirido pela CCFP na primeira década do século XX. Também ele foi restaurado em 1994. Atrás dele vinha o carro nº 100, adquirido em 1905 pela CCFP à Companhia Brill. Este carro, também ele perfeitamente restaurado e funcionando bastante bem (já tem mais de 100 anos!), destaca-se por não ter salão, ocupando os bancos de madeira toda a largura disponível, com saída directa pela lateral, aberta.

O magnífico 247 acompanhava o desfile. Este eléctrico foi construído na década de 1910, em Inglaterra, tendo posteriormente sido renumerado pela STCP como 118. Terminou a carreira aos 60 anos, em 1990, tendo sido restaurado 3 anos mais tarde. Ao contrário da maior parte dos eléctricos da colecção de Museu, este carro está pintado de amarelo, e não de verde.

Tivemos então oportunidade de dar uma vista de olhos a um carro de bogies em estado original, o 288. Um dos seus irmãos, o 287, circula quotidianamente nas linhas 1 e 1/ da STCP. Construído em 1929 na Bélgica pelos "Ateliers de Construction Familieureux", foi depois restaurado em 1995. No seu encalce vinha o 315, que trazia a reboque um atrelado para o transporte de peixe, o atrelado nº 80, que era muito habitual nas carreiras que frequentavam a marginal, em direcção a Matosinhos. Este foi mais um veículo construído pela CCFP em 1929. O seu restauro integral aconteceu já há 15 anos, em 1991.

 


O penúltimo carro do desfile era o 269, mais um carro de bogies, mas desta vez construído pela CCFP em 1930. Depois de concluir a sua carreira comercial em 1990, este veículo foi restaurado em 1993, passando então para a colecção do museu. A finalizar, vinha o carro-torre nº 49. Este vagão foi construído em 1932 pela CCFP para reparação da linha aérea. Foi integralmente restaurado em 1992, e fechava o fabuloso cortejo de eléctricos.

O desfile protagonizou duas ida/volta de Massarelos ao Campo Alegre, para depois recolher uma vez mais ao interior do Museu, onde continuarão expostos mais um ano, até nova oportunidade de ver a luz do dia surgir. Apesar das dificuldades de organização do desfile este ano, que além do mais não teve uma promoção atempada junto do grande público, pode-se dizer que este evento continua a ser um singular exemplo em Portugal de perenização da memória colectiva, no caso particular no que diz respeito a sistemas de transporte urbanos.

As fotos deste evento servem certamente para matar saudades até ao próximo evento, que ansiosamente a cidade do Porto aguarda. Afinal de contas, trata-se da memória de um sistema de transportes públicos que constitui a vértebra da mobilidade da cidade, uma vértebra ironicamente bem mais ecológica e eficiente do que os meios de transporte maioritariamente explorados nas cidades portuguesas hoje em dia, e cada vez mais reinstaurados não só no Porto, mas em outras grandes cidades fora de Portugal.




Por: João Cunha
Fotos de: Bruno Moreira, Carlos Pinto, João Cunha e Ricardo Taveira
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Os maglev efectuam o seu movimento sem qualquer contacto com o carril abaixo deles? Tal é conseguido através da criação de zonas de diferente potencial eléctrico entre as extremidades dianteira e traseira do mesmo, levando a que o veículo seja impelido nessa direcção.

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