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Editorial de Diana Pereira — Colaboradora Transportes Públicos
Caros leitores,
Diariamente nos deparamos com situações muito incómodas de trânsito, que nos fazem chegar tarde aos compromissos, ou que nos obrigam a sair de casa mais cedo que o necessário. Infelizmente comentários como “vou para o meu trabalho de carro, porque está muito trânsito, e de autocarro demoro mais!”, são uma realidade. Porém, se pensassem que o bilhete que iriam comprar (no autocarro, no comboio, metro…) seria de longe mais barato que o combustível que gastam, e que o impacto ambiental resultante desse acto seria manifestamente menor, e iriam demorar o mesmo tempo, certamente que as coisas poderiam mudar.
Hoje em dia, nada justifica o uso do automóvel nas deslocações para as cidades. O Transporte público, graças aos sucessivos investimentos públicos, tem-se mostrado à altura de se tornar a solução mais viável e a alternativa ao transporte individual e ao caos no que respeita à mobilidade urbana. É caso disso as melhorias introduzidas nos eixos ferroviários do Grande Porto, a melhoria das condições de circulação nas Linhas de Sintra e Azambuja; a ligação entre Lisboa-Almada e Setúbal, cuja taxa de adesão faz de si um dos melhores exemplos das vantagens sobre o transporte individual.
Quem está "dependente" do transporte público, por vezes é confrontado com casos que não nos são de todo favoráveis. Falo por exemplo de um autocarro sobrelotado. Nas horas de ponta é cada vez mais frequente vermos 80 passageiros num veículo que apenas dispõe de 35 lugares sentados. Porém há que ter a noção que este veículo foi desenvolvido para deslocações curtas e frequentes; se a frequência continua a ser uma preocupação para as transportadoras e que tudo tem feito para responder adequadamente, o mesmo não se aplica à duração da viagem. Este facto, alheio às transportadoras, constitui um entrave à promoção do transporte público em detrimento do individual. Cabe apelar ao bom senso das autarquias e aguardar que penosamente sejam abertos corredores BUS para aumentar a fluidez do trânsito. Se os cidadãos estivessem conscientes da importância dos transportes, poupar-se-ia as autarquias do trabalho de criar estes corredores, ao mesmo tempo que o aumento da procura, faria disparar a oferta e consequentemente todos ganhariam; quer pela redução do tempo despendido nas deslocações, quer pela redução da emissão de poluentes para a atmosfera, quer ainda pela melhoria da qualidade dos transportes.
Somos dos países como maior taxa de motorização / habitante; igualmente somos dos países mais dependentes do Petróleo, o que levando em linha de conta a nossa balança comercial e a riqueza energética, nos coloca num patamar bastante perigoso, pois a importação do "ouro negro" é a única alternativa.
Mudemos a nossa mentalidade, deixemo-nos de luxúrias, e usemos os transportes públicos. Lutemos por uma cidade mais pura, mais livre e mais económica!
Diana Pereira
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Desde que entraram em serviço há 20 anos atrás, os comboios Intercidades já percorreram uma distância superior a 160 milhões de km, o equivalente a 3 viagens a Marte?
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